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Crítica: A Grande Mentira


Um fato curioso sobre certos diretores é que eles frequentemente trabalham com os mesmos atores, um atestado da confiança na habilidade e no talento, tanto do diretor quanto do ator. Dentre os exemplos podemos citar Martin Scorcese com Robert De Niro, e posteriormente com Leonardo DiCaprio; Werner Herzog com Klaus Kinsky, cuja relação conflituosa resultou em vários episódios bizarros durante as filmagens dos vários filmes da parceria; e, uma das mais famosas duplas, Tim Burton e Johnny Depp.

Esse tipo de relação entre diretor e ator pode ser vista também com a dupla Bill Condon e Ian McKellen. A dupla chega a seu terceiro filme juntos, “A Grande Mentira” (The Good Liar), e assim sendo, McKellen se torna o ator a mais trabalhar com Condon. Este não é o único nome de peso no filme, que também conta com Helen Mirren.

Na trama baseada no livro homônimo de Nicholas Searle, conhecemos o golpista Roy Courtnay, especializado em golpes teatrais, trapaceando investidores e viúvas. Quando ele conhece Betty McLeish, o jogo começa a mudar e ao se envolver com ela, coisas estranhas começam a acontecer.

Uma grande qualidade de da produção é saber conduzir seu suspense. O roteiro consegue criar mistérios e subtramas com facilidade, e as reviravoltas em sua maioria são imprevisíveis. Além disso, sabe como usar qualquer previsibilidade a seu favor: quando algo na história é óbvio, acaba subvertendo nossas expectativas e tomando um rumo inesperado logo após.

A maior qualidade do filme está em seus atores: a dupla mostra porque são tão aclamados pelo público e crítica. McKellen consegue trazer à tona a ambiguidade de seu personagem, por um lado muito charmoso e simpático, por outro completamente desprezível. Enquanto Mirren faz uma Betty inocente, gentil e simpática, porém que sabe ser confrontadora quando necessário.

Nos aspectos técnicos, a música é o que mais merece destaque: Carter Burwell está em sua sétima colaboração com Bill Condon, e é notável como o estilo de sua trilha funciona bem com o estilo do diretor, fruto de trabalhar tantas vezes com ele. Por sua vez, a fotografia é um tanto convencional, ainda que em algumas cenas propicie uma excelente metáfora visual do roteiro.

“A Grande Mentira” é um thriller interessante cheio de reviravoltas, o que fará com que os fãs deste estilo de filme saiam satisfeitos. Além disso, para quem quer ver um elenco de peso em ação, a obra é um prato cheio.

por Ícaro Marques – especial para CFNotícias