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Crítica: A Hora da sua Morte


O que você faria se soubesse a hora da sua própria morte? Iria comemorar os longos anos, tentar de tudo para ampliá-los ainda mais? Ou se desesperar pelo pouco tempo que lhe resta, procurando prolongá-lo mesmo que minimamente?

Essa é a premissa que move a trama de “A Hora da sua Morte” (Countdown), a estreia do diretor Justin Dec. No filme, o aplicativo “Countdown” diz revelar a hora exata da morte das pessoas, e começa a se tornar muito popular – particularmente entre jovens como uma forma de brincadeira.

Após a enfermeira Quinn Harris (Elizabeth Lail) baixar o tal app, descobre que sua hora marcada com o fim é para daqui alguns dias. E quanto mais ela foge  de situações perigosas, mais coisas estranhas começam a acontecer.

O tema da profecia autorrealizada, aquela que quanto mais se foge do resultado previsto, mais acaba por se aproximar deste, é um tema clássico, literalmente, dado que existe na literatura desde a Grécia antiga. Em filmes, temos exemplos variados, desde animações, como “Kung Fu Panda 2”, “Os Doze Macacos”, entre outros, até mesmo o filme “Premonição” em partes.

No caso de “A Hora da sua Morte”, porém, o roteiro acaba por tomar uma rota menos complexa narrativamente: um demônio persegue aqueles que fogem de seu destino, desta forma mantendo a “ordem natural” das coisas. O personagem tem aparições extremamente reminiscentes da série “Invocação do Mal”, mais em específico em sua aparência que se assemelha a uma mistura da morte e do demônio Valak.

O terror se baseia apenas em “jumpscares”, muitas vezes óbvios. O uso destes é tão frequente e mal preparado, que ao fim eles perdem qualquer eficácia, sendo apenas mais um efeito da tentativa de assustar os espectadores.

O problema mais grave talvez seja a inserção de uma narrativa de assédio a troco de muito pouco para evolução da trama, o que reforçar uma ideia de que assediadores são vilões quase cartunescos.

As atuações estão medianas, típicas deste tipo de produção, e acabam servindo bem o propósito da trama. No setor mediano também está a fotografia igualmente típica: sombria e sinistra.  A trilha sonora não oferece nenhuma faixa impactante e pouco influencia no resultado geral

Enfim, este é mais um produto para fãs de sustos fáceis, que são muitos entre os admiradores do gênero terror, diga-se de passagem, mas pode não agradar quem gosta de um terror minimamente mais elaborado.

por Ícaro Marques – especial para CFNotícias

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.