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Crítica: A Sogra Perfeita


Assim como acontece com várias histórias, tornou-se convencional (mas não uma regra unânime) associar a figura da sogra a de alguém pouco amistoso. Que se preocupa com a felicidade de seus filhos, mas nem sempre respeita as escolhas deles, muitas vezes até mesmo criando empecilhos para que iniciem suas vidas ao lado de outras pessoas, tamanho o ciúme que sentem.

É uma inversão total dessa perspectiva o que nos apresenta a comédia nacional “A Sogra Perfeita”, cuja trama passada na Vila Cleyde (bairro fictício na Zona Leste de São Paulo), tem como protagonista Neide (Cacau Protásio), uma bem-sucedida proprietária de Salão de Beleza que, prestes a completar 45 anos, está ansiosa para que seu filho caçula, Fábio Júnior (Luis Navarro) saia de casa, para, enfim, aproveitar sua liberdade – uma vez que é divorciada e seu filho mais velho já se casou.

Em contrapartida, aos 27 anos, o rapaz não parece nem um pouco disposto a perder as “mordomias” que tem morando com a mãe – algumas, ultrapassando a barreira do absurdo ao pensarmos se tratar de um homem feito, não mais uma criança (nem mesmo um adolescente).

Consciente de que esperar por uma atitude do filho é perda de tempo, Neide coloca em ação um plano mirabolante, tendo como “cúmplices” na missão, seus dois funcionários / amigos Sheila (Evelyn Castro) e Eddy (Rodrigo Sant’Anna). O trio será responsável por transformar a recém-chegada à cidade e nova recepcionista do salão, Ciléia (Polliana Aleixo), na “mulher perfeita” para Fábio Júnior.

Tal ideia visa promover o encontro dos jovens, a fim de supostamente, despertar um sentimento que pudesse tirar o rapaz da estagnação em que vive sob os cuidados maternos. Ainda que o conceito de quase obrigar alguém a tomar uma decisão possa não ser muito louvável, as atitudes de Neide em tela são divertidas em sua essência e é todo o exagero da narrativa que a torna tão interessante do início ao fim.

O que parece ter sido um plano infalível pode cair por terra quando Neide ouve parte de uma conversa entre seu ex-marido Jailson (André Mattos) e Ciléia e passa a questionar as reais intenções da, até que se prove o contrário, ingênua moça. Teria a protagonista cometido um erro ao trazê-la de forma tão repentina para dentro de sua família?

Todo desenrolar do roteiro escrito por Flávia Guimarães e Bia Crespo funciona de forma ainda mais efetiva, graças ao nítido entrosamento do elenco e ao talento individual de cada um. Já nas primeiras cenas, é possível perceber que Cacau Protásio conseguiu o imprescindível feito de desvencilhar – se da personagem que talvez seja seu trabalho mais lembrado (a Teresinha do seriado “Vai que Cola”), o que faz de Neide uma figura independente e que tem méritos próprios para cativar o espectador.

Dirigida por Cris D’Amato, “A Sogra Perfeita” entrega ótimos momentos de diversão. Com personagens marcantes e várias subtramas passíveis de desenvolvimento posterior, o longa demonstra potencial para cair nas graças do público e gerar bons frutos no futuro – seja na forma de uma continuação nos cinemas ou até mesmo como série televisiva.

por Angela Debellis

*Texto originalmente publicado no Site A Toupeira.