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Crítica: A Viúva das Sombras


Dos mesmos produtores de “A Sereia: Lago dos Mortos” (2018) e “A Noiva” (2017), chega aos cinemas o mais novo títulos de terror distribuído pela Paris Filmes, “A Viúva das Sombras” (Vdova / The Widow).

O filme russo, dirigido por Ivan Minin com roteiro co-escrito com Natalya Dubovaya e Ivan Kapitonov, é supostamente baseado em fatos reais e filmado em clima de documentário e, assim como os outros dois citados anteriormente, é fundamentado no folclore russo e em lendas locais.

Conta a história de um grupo de voluntários de resgate acompanhados de uma jornalista, que entram em uma floresta para resgatar um adolescente desaparecido, no entanto o histórico da floresta não é nada bom. Há três décadas, diversas pessoas desapareceram na região e, os poucos corpos que eram encontrados estavam nus. Após o grupo de resgates iniciar a busca pelo garoto desaparecido, coisas sobrenaturais começam a acontecer.

Famoso por produções com argumentos interessantes, mas execução fraca, o produtor Svyatoslav Podgayevskiy surpreende com uma melhora significativa em “A Viúva das Sombras” e o diretor Ivan Minin entrega uma obra bem interessante para um estreante.

O longa, que não conta com grande orçamento, não traz grandes novidades, mas faz bom uso do que tem em mãos. A incursão à floresta ganha tensão conforme o dia vai escurecendo, e a trama se utiliza bem da escuridão de uma floresta fechada, distante da civilização. Mesmo que não houvesse espírito nenhum, ter que passar a noite em uma floresta distante em que pessoas desapareceram, apenas com algumas lanternas, já seria bem aterrorizante.

A ideia de mesclar a filmagem com o estilo found footage, através das câmeras GoPro da jornalista, ajuda a criar um clima aterrorizante, mesmo com poucos recursos. O filme também é favorecido pela opção de não usar o estilo de “câmera na mão” o tempo todo, o que poderia torná-lo cansativo. Pelo contrário, apresenta algumas cenas filmadas a uma boa distância, com o intuito de deixar óbvia a vastidão escura da floresta e nos confundir com as sombras.

As cenas filmadas do alto, mostrando a van do grupo de resgate como o único ponto de luz a percorrer as estradas às margens da floresta são bonitas e contribuem para demonstrar como aquele grupo está isolado na escuridão. Um dos pontos altos é a utilização do feno, que mesmo sendo uma ideia simples apresenta um efeito interessante e misterioso.

O terror apresenta algumas inconsistências, principalmente sobre o modus operandi do dito espírito, mas nada que impeça o andamento da trama, que tem apenas 1 hora e 27 minutos de duração – uma escolha adequada à película, que prefere não estender a trama desnecessariamente e entrega uma narrativa mais enxuta, condizente com o andamento do roteiro.

Um dos problemas, no entanto, é a dublagem em inglês, que soa artificial e apresenta uma dessincronização, que, apesar de leve, pode irritar os espectadores mais atentos. O áudio original, em russo (ou mesmo uma dublagem em português), tornariam a experiência mais interessante e imersiva, além de tornar os diálogos mais verossímeis.

Ainda que com alguns defeitos, é um bom entretenimento para os amantes do terror sobrenatural e, quando comparado a outros filmes russos de terror, apresenta um significativo avanço e uma esperança para as novas produções do gênero do país.

por Isabella Mendes – especial para CFNotícias

*Título assistido através de Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.