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Crítica: Aconteceu em Saint-Tropes


aconteceu_textoMais uma comédia romântica chega aos cinemas, e para o nosso alívio, não se trata da mesmice de simples histórias de amor regadas a piadinhas e confusões dos personagens. Os elementos utilizados para compor a obra são realistas, próximos vida real o que nos leva para dentro da história, divertindo e nos fazendo pensar.

  Aconteceu em Saint-Tropes narra duas possíveis histórias de amor, com interesses questionáveis somados a brigas de família, religião, uma morte, um casamento e o mal de Alzheimer. E são exatamente esses fundamentos que justificam o fato de eu ter usado o termo realista no primeiro parágrafo.

  Além dos elogios já mencionados ao longa, o dinamismo e a rapidez com que os fatos são tratados também impressionam se considerarmos a quantidade de tramas mostradas. E que também dificulta um pouco minha função de criticá-lo.

  O boom inicial acontece quando o dia do enterro da mãe de Noga (Lou de Laâge) se torna o mesmo dia do casamento de sua prima Melita (Clara Ponsot). Elas são filhas, respectivamente, de Zef (Eric Elmosnino) e Ronie (Kad Merad). Irmãos, porém, com especificidades absolutamente distintas e que resultaram na criação de suas filhas.

  Apesar disso, as primas se adoram e possuem uma característica em comum que poderia ser apenas o gosto por festas badaladas, paixão por poetas famosos, nomes estampados em grifes ou a paixão pela musica mas, na prática, é o mesmo tipo de homens. Fato revelado neste mesmo final de semana de alegrias e tristezas.

  As brigas dos irmãos não fogem nada de qualquer outra discussão em família. Seja por motivos banais como a admiração de Ronie por Frank Sinatra, que o faz dar uma palhinha em todas as oportunidades possíveis (isso inclui o casamento de sua filha), o traslado do caixão da esposa de Zef até o tratamento a que deve ser dado ao pai que sofre do mau de Alzheimer.

  Senhor Aron é um show a parte. Relojoeiro e colecionador, o velhinho é digno de um parágrafo só pra ele (um não, dois). Na verdade, esse personagem salva o filme de outra possível mesmice que seria a exposição de lados diferentes de uma mesma família. A brilhante interpretação do ator Ivry Gitlis, nos faz pensar que, apesar de nossas especificidades, temos a mesma origem e não há como fugirmos disso.

  As inúmeras e divertidíssimas cenas em que o patriarca expõe família a constrangimentos em relação á mãe de seus filhos e suas supostas namoradas, evidenciam a vitoriosa idéia de tratar uma doença tão grave, de maneira delicada e sutil. Prova disso é uma cena em que Giovanna (Monica Bellucci), esposa de Roni, deseja ter a doença para não se lembrar de coisas ruins da vida como e velhice e as dificuldades inseridas nela.

  Além do belíssimo idioma francês, o filme é de muito bom gosto. As diferentes composições de famílias estão entre as discussões em seus textos sinceros e que nos leva a muitas reflexões. Os cenários, Paris, Nova Iorque, Londres e Saint-Tropez dispensam comentários. No mais, sugiro que confira e veja se concorda comigo.

 

por Vinicius Araujo especial para CFNotícias

 

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