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Crítica: Adoráveis Mulheres


Uma história sobre o feminino. Com toda graça, delicadeza, coragem e força que habitam os corações de todas as mulheres, não só das retratadas por Greta Gerwig em “Adoráveis Mulheres (Little Women).

O longa tem tudo para conquistar os espectadores: a narrativa em si já é uma velha conhecida, pois é inspirada no aclamado livro “Little Women” (que no Brasil ganhou o título de “Mulherzinhas”), lançado em 1869 por Louisa May Alcott (1832 -1888), que inclusive já teve outras adaptações no cinema.

“Adoráveis Mulheres conta a história de uma família americana, composta por quatro irmãs que ficam aos cuidados da mãe caridosa, Marmee (Laura Dern) enquanto o pai vai para a guerra. As garotas possuem um elo que vai muito além do familiar, contudo são muito distintas entre si.

Jo (Saoirse Ronan) é meio moleca, tem gênio forte e sonha em ser escritora; Meg (Emma Watson) tem aptidão para atuação, é romântica e sonha viver um grande amor, casar e ter filhos; Amy (Florence Pugh) deseja se tornar pintora e chega a viajar para Europa com uma tia com intuito de conseguir um bom casamento e aperfeiçoar seu talento com a pintura; já Beth (Eliza Scanlen), a mais nova e introspectiva entre as irmãs, tem um talento nato para piano.

O filme possui personagens cheios de nuances, como Laurie (Timothée Chalamet), que é o vizinho rico das meninas. Ele se torna o melhor amigo de Jo e, conforme a relação se desenvolve, fica nítido que ele é apaixonado por ela.

Tia March, interpretada pela maravilhosa Meryl Streep, é uma mulher solteira e rica e que, de maneira ácida, tenta guiar, inicialmente Jo e depois Amy, a focar na boa educação e um futuro bom casamento.

A história faz um vai e vem entre passado e presente, o que torna o desenvolvimento interessante. Existe também um olhar individual de cada uma das garotas, tonando assim perceptível a visualização do crescimento do personagem e da atuação.

A produção conta com roteiro e direção de Greta Gerwig, que tudo indica irá repetir o sucesso de seu longa de estreia como diretora “Lady Bird – A Hora de Voar”. Como não há dúvida do talento de Saoirse e Timothée, Gerwig trabalha novamente com a dupla que possui uma química profunda em cena.

Devemos nos lembrar de que “Little Women” é uma história escrita por uma mulher em meados de 1800, quando questões como se casar por amor, por conveniência ou simplesmente não se casar, independência e autossuficiência feminina, eram assuntos para mulheres visionárias, feministas. Agora temos um filme que apesar de retratar outro século, é contemporâneo, que tem feminismo implícito e explícito nas mais diversas cenas, e que não perde o romantismo e os pequenos clichês do gênero.

Com um roteiro envolvente, cenário, figurino e fotografia encantadores e um elenco de peso “Adoráveis Mulheres” é uma ótima opção dentre as estreias da semana.

por Carla Mendes – especial para CFNotícias

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.