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Crítica: AK-47 – A Arma que mudou o Mundo


Dizer que a Ak-47 é uma das armas mais populares do mundo é um eufemismo: ela é encontrada na mão de governos, revolucionários, resistências e terroristas. Potente, precisa e resistente, seu chassi serviu de modelo para inúmeras outras, em especial em países comunistas, como a China. Criada por Mikhail Kalashnikov, é, sem dúvidas, um dos maiores símbolos e legados da finada União Soviética.

Em homenagem a seu criador, o filme “Ak-47: A Arma que Mudou o Mundo” (Kalashnikov) segue os passos de Kalashnikov, do ferimento que o forçou à baixa durante a Segunda Guerra, os primeiros modelos projetados por ele, até sua ascensão como designer da icônica arma soviética.

A produção lembra muito os títulos hollywoodianos de boa qualidade. Isso por um lado é bom, tendo uma boa fotografia, uma história bem escrita – com um ou outro furo de continuidade – e uma trilha excelente. Por outro, perde algo que o torna único.

Em primeiro lugar as qualidades: O drama biográfico sabe muito bem utilizar a fotografia a seu favor, em particular no uso da narrativa visual. Tem, é claro, momentos em que falha, mas no geral é bem interessante. Também o uso da paleta de cores está bem pensado.

A atuação está decente. Os atores não são extraordinários, mas fazem bem o trabalho, não perdendo em nada pra alguns nomes do circuito de Hollywood. Yuriy Borisov como protagonista ficou bem colocado.

Porém, o fato do filme seguir paulatinamente o modelo de Hollywood, transforma-o em algo “comum”. Ao invés de procurar uma voz russa, tornando-se assim, único, acaba por soar como um drama histórico americano.

Para agravar a situação, o longa que está disponível no Cinema Virtual, sofre com os problemas dos títulos nacionalistas americanos, porém com símbolos diferentes: eles diminuem as falhas do protagonista, aumentam suas qualidades, e ignoram aquilo que pode minimizar a sua genialidade.

Um exemplo é ocultarem o fato de Kalashnikov, assim como outros do período, usar como base para a AK, a STG 44 alemã. É claro que isto se dá para não rebaixar Mikhail, e para não parecer que os russos se basearam nos seus mais ferrenhos inimigos da época.

Apesar de tudo, “Ak-47: A Arma que mudou o Mundo” tem conteúdo para públicos diversos: cenas de guerra, drama e romance – isto tudo em uma produção sobre a história de uma arma.

por Ícaro Marques – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.