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Crítica: Ana


“Ana” (Ana) se passa em um Porto Rico em crise depois da passagem do Furacão Maria, em 2017, e mostra bem os efeitos devastadores na economia e no cotidiano da população.

Apesar do tema, que poderia ser trágico, o filme é uma comédia leve com um toque de drama, que mostra as dificuldades de um país que precisa se reconstruir, mas também suas belezas, principalmente suas belas paisagens.

O longa dirigido por Charles McDougall e com roteiro assinado por Cris Cole, tem como foco uma amizade inesperada entre Rafa Rodriguez (Andy Garcia) e Ana (Dafne Keen, conhecida pelo público pela sua atuação em “Logan” e na série da HBO, “His Dark Materials”.

Ana – uma menina de onze anos cuja mãe acabou de ser presa, e que se encontra sem lugar para ficar – une-se, devido ao acaso, a Rafa, um vendedor de carros usados que se encontra em sérias dificuldades financeiras.

A dupla inusitada embarca então em uma jornada cheia de desafios para encontrar alguém para tomar conta da menina e também para conseguir cinco mil dólares que Rafa passa a dever a Diego (Ramón Franco), o dono assustador de uma casa de apostas ilegais.

A trama então estabelece uma dinâmica interessante em que Ana – a criança de quem Rafa de repente se vê tomando conta – acaba por, de certa forma, tomando conta de Rafa e tentando conseguir o dinheiro para pagar Diego, das formas mais mirabolantes possíveis e, geralmente, a contragosto de Rafa.

De uma forma singela, o filme mostra as dificuldades de quem tenta sobreviver da melhor forma possível diante dos desafios que a vida oferece, alternando o drama e o humor em uma boa medida.

Apesar de uma quebra de ritmo na segunda metade da obra, nas cenas que se passam na igreja local, a produção apresenta uma boa fluidez. “Ana”, que tem como pano de fundo a ação de um político corrupto ligado a uma igreja que usa de mentiras para arrancar dinheiro de seus fiéis, consegue fazer uma crítica pertinente àqueles que se aproveitam de momentos de crise para se beneficiarem às custas de uma população necessitada.

Os atores principais, Andy Garcia e Dafne Keen, apresentam um ótimo entrosamento. Ela mostra em cena uma ótima atuação, dando vida a uma criança esperta o bastante para ludibriar e manipular os adultos para sobreviver, mas que também tem momentos de inocência e fragilidade.

Com um roteiro que conta com soluções inteligentes, a comédia dramática que está disponível no Cinema Virtual é uma boa proposta para quem quer ver um filme divertido que fuja das comédias mainstream e aborde um tema diferente com um charme próprio.

por Isabella Mendes – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.