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Crítica: As Golpistas


Baseado em um artigo da jornalista norte-americana Jéssica Pressler, “As Golpistas” (Hustlers), dirigido por Lorene Scafaria, narra a história verídica de um grupo de strippers que esquematizam uma série de golpes em seus clientes mais afortunados.

Destiny (Constance Wu) e Ramona (Jennifer Lopez) passam por dificuldades financeiras quando uma crise econômica assola Wall Street, fazendo com que o número de clientes na boate onde trabalham caia rapidamente.

Com isso, elas se unem a mais duas amigas, e juntas arquitetam um plano para se encontrarem com seus clientes, dopá-los, e garantirem sua rentabilidade faturando sobre os cartões de crédito de suas vítimas.

O filme apresenta uma proposta inovadora sobre um tema que é sempre voltado à erotização – não que ela não esteja presente, mas o foco principal se volta a um estilo de vida que pode ou não ser movido por escolhas.

A produção usa cenas que combinam o presente e o passado, fazendo do longa uma narrativa da personagem Destiny, que apesar de contar toda a sua trajetória como stripper, não exalta em momento algum contextos apelativos; ao contrário, toda a história é conduzida de forma a expressar não só a sensibilidade, mas o sentimento maternal que há entre ela e Ramona.

Apesar de se tratarem de golpistas, a produção buscou retratar o empoderamento feminino e a sororidade, reforçando que a ideia central se baseia em independência, dando destaque a mulheres que cuidam de suas famílias, mas que também lutam para conquistar seus sonhos, mesmo que por meios um pouco duvidosos.

Outra palavra que pode definir essa belíssima história, é compreensão. Embora estejamos diante de uma conduta maldosa, não conseguimos julgar as personagens – em determinado momento do filme elas tentam encarar uma vida “correta” e têm suas expectativas esmagadas por uma sociedade individualista.

O que nos leva a refletir sobre uma frase dita por Ramona, que particularmente me marcou muito: “O mundo inteiro é uma boate, há pessoas que dançam, há pessoas que jogam dinheiro”. Será que somos capazes de distinguir de que lado estamos?

por Victória Profirio – especial para CFNotícias