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Crítica: Bloodshot


Ao ouvir falar de quadrinhos de super-heróis, virá a cabeça da maioria das pessoas DC ou Marvel. No entanto, existem outras grandes empresas, e tão definidoras quanto, ainda que acabem por serem menos percebidas, ao menos no Brasil. Uma delas é a Valiant responsável por personagens, que ainda que menos conhecidos que seus contrapartes, são importantes no cenário atual, como X-O Manowar, Shadowman, Turok –  vários destes tiveram adaptações para videogames nos tempos que a empresa foi comprada pela Acclaim Studios.

Dentre estes personagens, temos Bloodshot, um soldado revivido por nanorrobôs, que serve de arma viva a seus empregadores, eliminando alvos aos quais é direcionado. Para ele atingir maior eficiência, no entanto, suas memórias são continuamente manipuladas de forma a melhor favorecer seu envolvimento com a missão. Assim, sua identidade é um segredo até para si mesmo.

Baseada nesta história em quadrinhos, a Sony Pictures traz o filme “Bloodshot”, que marca a estreia de David S. F. Wilson na direção. O longa também conta com um elenco de peso, com Vin Diesel no papel principal, Guy Pearce, Sam Heughan e Eiza González.

A trama segue Ray Garrison (Vin Disel), que após testemunhar sua mulher morrer e o próprio ser morto em um sequestro, é “revivido” pela RTS Corporation (uma corporação especializada em melhorias cibernéticas do corpo humano) e parte para conseguir se vingar de seu assassino. No entanto nem tudo é o que parece, e em uma de suas operações, ele irá descobrir algo muito maior sobre a sua situação.

Sendo dos mesmos produtores da série “Velozes e Furiosos” e “Triplo X” – Neal H. Moritz e Vin Diesel –, o filme logo mostra suas influências: perseguições em alta velocidade, cenas de ação altamente acrobáticas, explosões e tiroteios para todo lado, etc.

No entanto, cai também nos mesmos problemas de suas influências: personagens subdesenvolvidos, particularmente as femininas – que, infelizmente, nestes filmes têm como foco serem chamariz para o público masculino –, e cujas motivações não são bem definidas; uma história corrida que em vários pontos acaba se tornando confusa, dentre outros. Por sua vez, “Bloodshot” também carrega problemas próprios, como por exemplo, zooms sem função nos rostos dos personagens, piadas que não cabem no contexto, e em alguns momentos o CGI fica numa qualidade baixa.

Ainda assim, existem qualidades a serem elogiadas: a coreografia das lutas e tiroteios está muito bem feita; ainda que com zooms desnecessários, a fotografia no geral é muito boa, e sabe usar a paleta de cores, luzes e sombras a seu favor; a música, ainda que típica, também acompanha com eficiência o que ocorre em tela.

As atuações são um misto de boas e duvidosas. Definitivamente, Guy Pearce rouba a cena com um personagem ao mesmo tempo carismático e sinistro; Vin Diesel cumpre sua função de herói de ação, mas não vai ganhar nenhum prêmio por esse papel; Sam Heughan faz o personagem nojento que continuamente antagoniza o protagonista a troco de nada.

Por sua vez, Eiza González tem seu papel escrito de uma maneira fraca e típica de mulheres em filme de ação – ser um rostinho bonito – com exceção de não ser o interesse amoroso do personagem, e ela acaba atuando de maneira pouco intensa, seja por reflexo do papel, ou problema da atriz.

Ainda que “Bloodshot” seja um filme baseado em quadrinhos, tem um foco diferente do que encontramos em filmes da Marvel e DC, nos quais a história também é um fator importante, e não só um motivo para explosões. Sendo assim, vai agradar um público diferente do típico de filmes de Hq’s: os que gostam de títulos mais voltados para a ação pura – para estes, é uma excelente opção.

por Ícaro Marques – especial para CFNotícias

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.