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Crítica: Branca como a Neve


Temos uma nova versão de Branca de Neve para a conta, a diferença é que esse longa tem a classificação indicativa para maiores de dezoito anos. Pois, não estamos apenas falando sobre a vida de uma princesinha, mas de uma jovem que se aprofundará em experiências românticas e carnais.

“Branca como a Neve” (Blanche Comme Neige/Pure as Snow), dirigido por Anne Fontaine, conta a história de Claire (Lou de Laâge), uma jovem que trabalha no hotel de seu falecido pai, que agora é administrado por sua madrasta Maud (Isabelle Huppert). Quando o padrasto da garota se apaixona por ela, Maud é tomada pelo ciúmes e planeja meios de tirar sua enteada do caminho. Dessa forma, a jovem encontrará ajuda em uma fazenda e no decorrer da história  conhecerá sete homens, de diferentes idades e personalidades, que a farão entrar em um mundo de descobertas.

Não é tão difícil pensar em versões atuais para os contos de fadas, já que muitas refilmagens foram produzidas com o passar dos anos. Porém, ninguém chegou tão perto de retratar a intimidade da protagonista de uma forma que explorasse sua sensualidade, e ao mesmo tempo conseguisse usufruir do romance e da transparência de sentimentos.

No longa, Claire passa por um processo de autoconhecimento que não demora muito para aflorar. Ao mudar-se para a fazenda, sente-se leve, percebe que tem a oportunidade de construir uma história diferente e que não será julgada por isso. Ela tem a liberdade que sempre sonhou e isso a faz se sentir viva, como nunca antes.

A produção chega para quebrar certos rótulos e aborda fatos que ainda são considerados tabus em sociedade como a liberdade sexual da mulher. Ter mais de um parceiro pode causar inconformidade em algumas pessoas e na narrativa isso é retratado de uma forma inocente e apaixonante. Existe paixão e entrega por partes das pessoas envolvidas naquela relação e, em momento algum, isso é visto com maus olhos pelos que estão de fora.

Em uma entrevista sobre o filme, a diretora foi questionada sobre reformular a história e se de alguma maneira isso causaria alguma perda. Ela contou que é interessante se surpreender com um novo projeto. Particularmente, acredito que Anne foi bem assertiva ao produzir algo que esteja fora do que estamos acostumados a ver. O longa está lindo e o capricho em cada detalhe torna a história adorável.

 por Victória Profirio – especial para CFNotícias