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Crítica: Cadê você, Bernadette?


“Cadê Você, Bernadette?” (Where’d You Go, Bernadette?) dirigido por Richard Linklater, conta a história de uma arquiteta que sofre com um transtorno chamado agorafobia – que significa o medo de estar em meio a multidões e locais abertos. Em meio a fortes crises de ansiedade, e cobranças em sua vida pessoal, Bernadette (Cate Blanchett) procura refúgio em uma viagem a Antártica, na esperança de se reconectar com si mesma.

O longa possui um tema muito interessante de ser retratado: o fato de falar sobre fobias e medos incontroláveis, em uma época que as pessoas finalmente estão tentando priorizar a saúde mental, foi algo bem assertivo por parte da produção.

Por mais que o filme possua algumas cenas um pouco mais descontraídas, ele busca fazer um alerta para dois tipos de pessoas: aquelas que estão lidando com um problema emocional e as que não sabem o que está acontecendo. O roteiro consegue enquadrar a conscientização de diversas maneiras diferentes, e explica perfeitamente que, muitas vezes nosso estado de inércia pode ser desencadeado por um gatilho considerado irrelevante.

Acredito que a personagem Bernadette representa uma boa parte da população mundial, não necessariamente por conta de suas fobias, mas por não ser feliz. Ela é casada, tem uma filha, possui uma casa decadente, e há anos não se dedica a sua profissão; vive em modo automático, esperando que uma secretária virtual resolva todos os seus problemas.

Isso poderia ser facilmente confundido com alguém que criou uma aversão ao mundo e permitiu que tudo acontecesse sem que ela fizesse questão de viver aquilo. Entretanto, a motivação e empolgação para realizar coisas novas foram sufocadas por uma frustação que não a permitia se arriscar em seus próprios sonhos, com medo de que tudo desse errado.

Todo o contexto do filme segue uma narrativa muito bem elaborada, que com certeza servirá como uma reflexão, para mostrar o quanto somos inteiramente dominados por nosso subconsciente. Ainda assim, é importante frisar como a ressignificação também pode ajudar sobre a percepção do mundo, das coisas a nossa volta, e que, acima de tudo, buscar um equilíbrio não significa ser egoísta.

por Victória Profirio – especial para CFNotícias