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Crítica: Desculpe o Transtorno


Cena de Desculpe o Transtorno

“Desculpe O Transtorno” tenta propor uma ideia interessante, de discutir as diferenças entre as coisas em geral, mas a verdade é que o tema não é explorado como deveria. Com isso, a comédia dirigida por Tomás Portella (Operações Especiais) cai nas mesmas armadilhas que outros filmes do gênero e fica longe de arrancar boas risadas do público.

Neste caso, o principal problema são as piadas retratadas, mesmo tendo em seu elenco um bom time, formado com  grandes nomes do humor brasileiro atual, como Gregório Duvivier (Vai Que Dá Certo) e Clarice Falcão (Porta dos Fundos – Contrato Vitalício).

A verdade é que longa não foge do óbvio, principalmente quando tenta tirar sarro das diferenças entre São Paulo e Rio de Janeiro ao longo da trama, que acompanha Eduardo (Duvivier), um rapaz carioca que vive na capital paulista e é todo regrado. Depois de voltar para sua terra natal, ele descobre que possui uma segunda personalidade, chamada Duca.

Enquanto Eduardo é aquele sujeito totalmente certinho, que só pensa no trabalho, Duca é um sujeito descolado, simpático e que gosta de farra e curtir os amigos. Enquanto a versão paulista vive uma vida segura ao lado da noiva Viviane (Dani Calabresa), o alter-ego carioca se apaixona por Bárbara (Falcão), uma moça extrovertida e bastante cativante.

A partir daí, o que mais vemos são os estereótipos que já cansamos de ver na televisão e no cinema sobre as duas principais cidades do Brasil desfilarem pela telona. Infelizmente, isso é o que mais atrapalha o filme.

Tudo porque, mais uma vez, temos que ver São Paulo com uma paisagem acinzentada, dominada pelos seus prédios gigantes, e o Rio com seu sol maravilhoso por cima da praia de Copacabana. Claro que mostrar esses elementos não é errado, mas esse tipo de comparação já está batida, não acham?

Por conter uma história pouco cativante e previsível, “Desculpe O Transtorno” se apresenta como uma obra pouco criativa nesse cenário de renovação do humor brasileiro, afinal de contas, não sabe aproveitar o seu maior trunfo: discutir as diferenças entre as coisas, um tema importante hoje em dia aqui no Brasil.

Por Pedro Tritto – Colunista CFNotícias

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