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Crítica: Éden – O Mundo de Eva


Dirigido e escrito por Agnes Kocsis, “Éden – O Mundo de Eva” (Eden) é um drama elegante e delicado que aborda o universo de alguém com reação alérgica ao mundo em que vive. Na trama, que se passa na Hungria e Romênia, acompanhamos Eva (Lana Baric), uma ex-professora que há sete anos se tornou terrivelmente alérgica à poluição do ar, componentes químicos, campos eletromagnéticos e ondas de rádio e que, por isso, vive em severo isolamento.

Em contato apenas com seu irmão, o único momento em que Eva sai de casa, usando um traje de proteção, é para ser testada em uma clínica, onde é submetida a procedimentos desconfortáveis e dolorosos que a faz se sentir como um “rato de laboratório”. Sua rotina, solitária e entediante, se altera com a chegada de Andras (Daan Stuyven), um psicólogo que quer entender a origem de sua doença.

Há um toque de ficção científica no filme, no traje espacial que Eva precisa usar sempre que sai de seu apartamento, na clínica de testes cercada de vidros e dispositivos tecnológicos e por se passar em um futuro não determinado e não muito distante.

Não espere, no entanto, um longa de ação ou recheado de efeitos espaciais. O drama conta com poucos personagens, que são muito bem trabalhados, e faz uso de um ritmo lento que pode desagradar alguns, mas que é importante e eficaz para mostrar os efeitos do isolamento de Eva e a morosidade do tempo de alguém que vive sem poder ter contato humano.

Lana Baric apresenta muito bem uma personagem que parece conformada com sua situação, mas que sofre de depressão, ansiedade e crises de pânico devido ao seu isolamento e testes constantes.

As longas cenas de Eva, em seu apartamento metálico encarando as janelas, que nunca podem ser abertas, tornam clara ao espectador a tristeza de alguém que não pode, verdadeiramente, fazer parte de seu mundo. A produção conta com uma bela fotografia, recheada de branco, cinza e azul, que constrói ambientes assépticos e frios, sem vida e sem conforto.

Em um mundo que é hostil à sua sobrevivência e desprovida de contato humano, Eva vê seu cotidiano mudar aos poucos com a presença de Andras, que a visita para fazer para determinar se sua doença teria ou não origem psicológica. O personagem divorciado, pai de uma menina e também solitário à sua maneira, desenvolve uma relação interessante com a protagonista, o que passa a afetar não só a vida de sua paciente, como também a sua.

Com a pandemia do Covid-19 e as medidas de isolamento social, o longa conversa de forma interessante com o momento em que nos encontramos. Com uma direção inteligente e cercado de pequenos detalhes que enriquecem a obra, “Éden – O Mundo de Eva”, que está disponível no Cinema Virtual, é um belo filme sobre isolamento e solidão, sobre a dor de não poder fazer parte do mundo que nos cerca, mas também sobre o relacionamento humano e a beleza do afeto.

por Isabella Mendes – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming.