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Crítica: Espírito de Família


Filmes franceses são um caminho sem volta, talvez pela delicadeza, profundidade dos roteiros ou as diversas camadas de uma mesma história, não há uma receita exata, mas esses são os elementos que compõem a comédia Espírito de família” (L’Espirit de Familie).

O longa dirigido por Eric Besnard e que estreia hoje no Cinema Virtual, conta a história de Alexandre (Guillaume de Tonquédec), um escritor com uma carreira consolidada que acaba de perder o pai, Jacques (François Berléand). O problema é que ele continua vendo e até consegue conversar com o falecido.

O escritor, inicialmente não entende a razão de ser o único que consegue ter contato com o pai, uma vez que a relação que mantinham não era das mais profundas. Na realidade, Alexandre não consegue ter profundidade em nenhum relacionamento com os membros de sua família.

Nosso protagonista tem uma relação conturbada com o único filho, o garoto está sempre com um aspecto desanimado. O casamento? Bem, este esta por um fio. Não conhece os sentimentos do irmão e não é capaz de consolar a própria mãe. Sem falar que é visto como insensível e egoísta por todos que o cercam.

Fica a dúvida: Jacques acompanha o filho mais velho, pois esse não conseguiu superar a perda, ou talvez o pai sinta que ainda precisa ensiná-lo algumas coisas? Quem sabe a culpa fale mais alto em toda essa situação?

Não há grandes surpresas, o roteiro é um tanto quanto previsível, mas isso não torna a produção menos interessante – não sabemos bem o que há de tão cativante, ela apenas é. Além disso, cada pessoa ali é um universo a ser explorado e Alexandre nos conduz a isso.

Vemos um homem assumindo suas falhas, reconhecendo seus fracassos e reconstruindo laços. Tudo isso renderia um grande drama, mas não é essa a proposta, então conseguimos absorver a mensagem de maneira muito leve e fluida.

Acompanhar a evolução de Alexandre, seu amadurecimento, é deliciosamente divertido. Entretanto, existem outros elementos muito mais divertidos, como a cunhada que enfrenta momentos de estresse, o astro do rugby, Napoleão – que está passando por um momento delicado na carreira – e a viúva que tenta reaprender a ser sozinha.

O filme tem uma fotografia incrível, cores quentes e uma composição de cenários e locações simplesmente apaixonantes. E introduzir a canção “Father and Son” de Cat Stevens foi um golpe de mestre, afinal a música pode facilmente traduzir a premissa de toda a obra.

Com “Espírito de Família”, você irá das lágrimas ao riso em segundos, provavelmente porque histórias que envolvam famílias e seus dilemas sempre têm um pouquinho de cada um de nós.

Disponível nas plataformas digitais para aluguel e compra, com cópias nas versões dublada e legendada. Excelente opção para toda a família. Confira!

por Carla Mendes – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming, a convite da A2 Filmes.