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Crítica: Fluidity


Intenso, essa é a melhor definição de “Fluidity” (Fluidity), dirigido por Linda Yellen e que está disponível na plataforma de streaming Cinema Virtual. O filme é um debate extenso e bem construído sobre a fragilidade dos relacionamentos construídos a pela geração Z, por meio das histórias de jovens que vivem na cidade de Nova York.

O contexto é apresentado pela da narrativa de Lilly (Isabella Farrell), que está construindo uma dissertação para sua pós-graduação por meio da análise das relações modernas, pautadas pela casualidade e erguidas nas redes socias.

Conforme Lilly encontra fontes para sua pesquisa, dez jovens são apresentados – cada personagem é um elo que nos leva à próxima história. Através dos relatos conseguimos ver um pouco da personalidade de cada um e suas percepções sobre sexo, relacionamentos interpessoais, sentimentos e a profundidade do que se sente.

São muitas camadas a serem examinadas, contudo é amplamente discutida a superficialidade e ao mesmo tempo a intensidade das relações sexuais ou afetivas como fruto das inseguranças dos millenials e o papel das redes sociais na construção da vida perfeita.

A busca no mundo externo para algo que falta em si. A tentativa de suprir as necessidades do ego, seja com curtidas, match no Tinder, um vasto catálogo de parceiros sexuais ou drogas, sejam elas lícitas ou não.

O longa vem com um tema que já foi – e é – estudado e trabalhado em diversos meios: será que o advento da Internet e os constantes avanços tecnológicos nos deixou mais impessoais?

Não há espaço para julgamentos ou respostas prontas em “Fluidity”, as cenas de sexo explícito não são apelativas, fora de contexto ou que não agregam como vemos em muitas produções – o longa é sobre isso, então espera-se cenas mais quentes, mesmo que coreografadas.

Um fato interessante é que em alguns momentos parece que estamos assistindo a um documentário, com uma ótima didática para justificar o comportamento dos personagens. Há também a quebra da quarta parede de maneira muito fluida, Lilly literalmente fala com o espectador.

Mesmo em meio a toda essa “salada de frutas”, é um filme bem produzido com uma narrativa que se sustenta, algo que não é tão distante da nossa realidade, afinal esse século com suas constantes mudanças tecnológicas, avanços científicos e a cultura capitalista exacerbada, nos deixou um pouco carentes. Não carência material, algo mais profundo; é uma busca constante, como se a vida fosse uma lista de compras em que os itens precisam ser adquiridos e substituídos o mais rápido possível.

“Fluidity” é uma daquelas produções em que não depositamos tantas expectativas, contudo se mostra no mínimo interessante. Vale conferir!

por Carla Mendes – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.