Go to ...
CFNotícias on YouTubeRSS Feed

Crítica: Fogo Contra Fogo


Chegando aos cinemas brasileiros em 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, “Fogo Contra Fogo” (Kalushi) é um drama biográfico passado na década de 1970 que traz à tona a luta contra o regime racista vigente na África do Sul.

O filme conta a história de Solomon Kalushi Mahlangu (Thabo Rametsi), personagem real que se tornou grande inspiração na luta contra o Apartheid e que é apresentado com grande doçura em contraste ao terrível sistema opressor do racismo legalizado em que ele vivia. A obra apresenta o personagem desde seu afastamento de ações políticas até o dia em que foi sentenciado à morte por crimes que não cometeu.

Com a família expulsa das terras onde viviam e o pai assassinado pela repressão, o jovem que era estudante e vendedor ambulante e que tinha o único irmão trabalhando como policial, mantinha-se afastado de atos e protestos políticos.

Após ser espancado e humilhado por policiais e ver a dura repressão que seus amigos sofreram durante um protesto pacífico de estudantes conhecido como Levante do Soweto (16 de junho de 1976), decide fugir de casa, unir-se ao Movimento de Libertação Sul Africano e entrar para o treinamento militar.

Em uma missão conjunta logo após o término de seu treinamento, Solomon é preso e condenado à morte em 1979, em um julgamento racista e parcial que ficou nacionalmente conhecido. Suas últimas palavras, após ter sido sentenciado à morte, tornaram-se símbolo da resistência:

“Diga a meu povo que eu os amo e que eles devem continuar a luta. Meu sangue nutrirá a árvore que dará os frutos da Liberdade. A luta continua”.

O filme, de final triste e desolador, consegue incutir um sentimento necessário de revolta ao mostrar a história de um garoto que perdeu a vida na luta contra um regime de racismo institucionalizado que  colocava a população negra em extrema situação de miséria, discriminação e violência e torna claro o porquê de Solomon ter se tornado uma figura tão importante e inspiradora na luta contra o Apartheid.

por Isabella Mendes – especial para CFNotícias