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Crítica: Greta


Greta”, dirigido por Armando Praça, aborda a história de Pedro (Marco Nanini), um enfermeiro que trabalha em um hospital público de Fortaleza. Sua melhor amiga é Daniela (Denise Weinberg) uma artista transexual, que está passando por um momento delicado em relação a sua saúde. Sem leitos disponíveis para interná-la, Pedro decide ajudar na fuga de um paciente chamado Jean (Démick Lopes), um criminoso que acabou de cometer um assassinato. O enfermeiro o abriga em sua casa, e nasce ali uma história de sentimentos difusos.

O longa representa a queda de um muro gigantesco criado entre a sociedade e as coisas que as pessoas fingem não enxergar. O fato de dar ênfase a histórias de personagens marginalizados faz com o filme represente a vasta comunidade LGBT, que muitas vezes é negligenciada pela intolerância de uma população machista e homofóbica.

Os fatores que desencadeiam o drama são bem marcantes: o filme inteiro destaca o sentimento de infelicidade e frustação, tanto na vida dos personagens, quanto nos enquadramentos das cenas e nas cores atribuídas a elas. Poucas expressões são retratadas, o que dá a entender que as pessoas vivem no modo automático, que estão apenas sobrevivendo sem nenhuma perspectiva.

Algo que todos os personagens têm em comum é a carência – eles não tem família, amigos, alguém para contar, então encontram uma rede de apoio formada por aqueles que tem os mesmos problemas ou passam por situações semelhantes. A invisibilidade traz à tona a questão da repressão, todos ali tem uma característica própria, mas o mundo não permite que eles sejam livres para mostrar a que vieram.

A crítica social contida no roteiro é perspicaz e retratada de modo que deixa claro o desejo reprimido de todos os envolvidos. Não é um filme para falar sobre homossexualismo ou identidade de gênero, ele é sobre exteriorizar para a sociedade que essas pessoas existem, que elas têm sentimentos, e que são iguais a todas as outras.

É importante frisar que, infelizmente muitos se escondem por conta de julgamentos, e agressões podem vir a ocorrer – e isso só demonstra que temos muito para evoluir, até descobrir o que de fato significa respeito e empatia.

por Victória Profirio – especial para CFNotícias