Crítica: Histórias Assustadoras para contar no Escuro


Gênero muito popular entre os anos 1970 e 1980, os quadrinhos americanos de histórias de terror geraram uma infinidade de adaptações para outras mídias, como o filme Creepshow de 1982, para o cinema e a série Contos da Cripta de 1989, para a televisão.

Até o Brasil teve a sua própria onda (os mais velhos irão se lembrar das revistas Calafrio e Mestres do Terror, que costumavam serem vendidas em algo que os antigos chamavam de Bancas de Jornais). Os livros não poderiam ficar de fora e, justamente um deles, ganhou uma adaptação que ganha as telas dos cinemas nesta semana.

Histórias Assustadoras para contar no Escuro, baseado no livro homônimo escrito por Alvin Schwartz lançado em 1981, é dirigido pelo norueguês André Øvredal, produzido pelo gênio dos filmes do estilo Terror/Histórias Fantásticas Guillermo del Toro. Contando basicamente, com atores jovens e iniciantes (com exceção de Dean Norris, conhecido pelo seu papel na série Breaking Bad) traz para os dias atuais um pouco desta fase  que motivava os (hoje adultos) garotos a frequentarem as bancas de jornais ou correrem para as videolocadoras nos anos 1980.

Ambientada em 1968 em uma pequena cidade dos Estados Unidos, a produção conta a história de um grupo de adolescentes que, ao invadirem uma casa abandonada e marcada por uma história trágica, descobrem um livro de contos de terror que, aos poucos, ganha vida e passa a escrever histórias macabras baseadas em pessoas reais, colocando em perigo a vida dos jovens.

A partir daí, o longa abraça os clichês tanto das HQs quanto dos filmes de terror convencionais: protagonistas jovens, casa mal assombrada, ambiente aonde a tecnologia não pode ajudar, bruxaria, monstros e um personagem principal que carrega algum trauma do passado.

Diferentemente do livro em que foi baseada e, em uma diferença gritante para com os filmes e séries dos anos 1980, a produção pega leve no gore: não há cenas de assassinato explícitas ou mesmo sangue na tela, o que a deixa mais leve para o público, focando apenas no suspense e no clima de medo.

Infelizmente, devido a já citada premissa de que a trama se baseia nas histórias do livro encontrado pelos adolescentes, a partir do momento em que os personagens se dão conta disso, o próprio filme nos brinda com spoilers do que acontecerá a seguir: os protagonistas passam a ler as histórias antes de as mesmas acontecerem na vida real, tirando um pouco do efeito surpresa tão essencial a obras que se dispõem a assustar o espectador.

Com um apuro técnico digno dos trabalhos de Del Toro, a produção de arte não falha na concepção dos ambientes, mantendo um clima nostálgico e episódico ao desenvolver a história, e no design dos monstros que, para os fãs deste estilo, seja nas HQs ou no cinema, sempre serão os personagens principais de qualquer história.

Isso acaba fazendo o público ignorar até mesmo o fato de que o filme termina deixando pontas soltas, o que pode indicar que outras continuações podem ocorrer, já que o próprio livro em que foi baseado gerou uma série de outros títulos após o seu sucesso comercial.

O livro, aliás, fica como uma boa dica de leitura para os que assistirem ao filme. Porém, desta vez, não precisam ir até a uma Banca de Jornal.

por Jean Markus – especial para CFNotícias