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Crítica: “Hotel Artemis”


Cyberpunk se refere a um subgênero da ficção cientifica, criado por escritores nos anos de 1980, e caracterizado por demonstrar a perspectiva urbana de uma sociedade com grandes avanços tecnológicos e científicos, porém com um estado avançado de degradação social. No cinema é representado por vários filmes, alguns deles: “Blade Runner” (que apesar de ter sido criado antes das primeiras histórias cyberpunk, é considerado por seu retrato, um título deste subgênero), “Robocop” (1987), e “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” (2017).

E agora mais um longa se apresenta para representar esse subgênero: “Hotel Artemis”, estreia de Drew Pearce na direção, que também escreveu o roteiro. Na Los Angeles de 2028, a privatização da água, seus enormes custos e cortes constantes, desencadeia uma enorme rebelião que toma as ruas da cidade. Aproveitando-se do caos, dois irmãos (Sterling K. Brown e Brian Tyree Henry) criminosos e sua equipe, estão em seu último e maior roubo a banco para se aposentarem em paz, mas têm sua tentativa frustrada e acabam em um tiroteio com a polícia reprimindo a rebelião.

Feridos, dão entrada no famigerado Hotel Artemis, na verdade uma fachada para uma clínica ilegal que atende criminosos, e se veem no meio de uma conspiração para matar o Rei Lobo de Los Angeles (Jeff Goldblum). A situação só piora quando uma personagem inesperada bate à porta e força a Enfermeira (Jodie Foster), que comanda o local, a fazer uma escolha que pode botar tudo a perder.

“Hotel Artemis” preza muito pela narrativa visual, usando a fotografia, particularmente a paleta de cores das cenas, para reforçar a narrativa verbal. Um exemplo é como o próprio Hotel reflete a decadência exterior, da Los Angeles de 2028, tendo poucas tomadas externas. Assim como o uso frequente das cores vermelha e preta para criar uma atmosfera de tensão, aspecto importante para thrillers como este.

As atuações são outro ponto forte. Sterling K. Brown faz muito bem o papel do criminoso que acredita sempre que o próximo trabalho será o último; Jodie Foster cai bem no papel da enfermeira dura e convence como agorafóbica; Dave Bautista incorpora o bruto com bom coração, ou pelo menos em relação a mulher que o criou desde pequeno; Sofia Boutella ainda tem que melhorar alguns aspectos de sua atuação, mas consegue convencer; e Jeff Goldblum é novamente o excêntrico carismático.

Se há um problema no filme são certos aspectos da trama: o protagonista Waikiki (Brown) não tem força suficiente, nem parece ter motivações, além do irmão, e que ainda assim parece não o bastante, para agir do jeito que age. Seu romance antigo com Nice (Boutella), parece não ter química, não pela atuação deles, mas pelo roteiro. Isso resulta que os personagens que chamam mais atenção são a Enfermeira (Foster) e Everest (Bautista), que fazem uma dupla incrível.

A trama também é um tanto previsível: uma vez posta em movimento, dá para saber alguns desenrolares. Ainda assim, não deixa de ser intrigante. Para os fãs de trilha sonora, aqui ela só serve ao propósito do longa, além de soar típica, e não é a melhor para se ouvir fora.

“Hotel Artemis” pode não ser o melhor do cyberpunk – até mesmo, porque a concorrência nesse subgênero da ficção científica é extremamente acirrada – mas nos é um filme interessante de se ver. Propondo um futuro não muito improvável, com uma trama tensa e com a dupla Foster e Bautista, é muito recomendado para quem curte cyberpunk, e também para quem procura por um bom thriller.

por Ícaro Marques – especial para CFNotícias