Go to ...
CFNotícias on YouTubeRSS Feed

Crítica: La Cama


Construir um casamento forte e saudável necessita de tempo, paciência, amor e outras circunstâncias que dependerão de cada casal. Existem muitas possibilidades dos relacionamentos darem certo, o problema é quando pequenos detalhes começam a desgastar relações que pareciam sólidas.

“La Cama” revela o drama do casal Mabel (Sandra Sandrini), e Jorge (Alejo Mango) que, casados há anos, decidem se separar. O último dia que passam juntos antes de venderem a casa da família, traz à tona frustações, mágoas, nostalgia, e o restante da cumplicidade que o casal possuía.

Roteirizado e dirigido por Mônica Lairana, o filme se passa apenas dentro da residência do casal, e só conta com a presença dos dois atores. Tem diálogos curtos – mais da metade da trama se passa em silêncio como uma forma de reflexão, e tentativa de transmitir o sentimento dos personagens. Objetivo que deu certo, já que é possível sentir a tristeza e o desejo desesperado de mudança entre os protagonistas.

Os personagens estão em um relacionamento falido, nota-se que ainda existe amor, mas a paixão se esvaiu há muito tempo, valores importantes foram se perdendo ao longo dos anos, não existe admiração, complacência, diálogo, e uma infinita lista de sentimento bons a serem cultivados.

Em pelo menos duas cenas, percebemos que essa situação não se refere apenas ao relacionamento amoroso, mas ao familiar também: o casal tem uma filha, que aparentemente só mantem contato com o pai por telefone, onde ele insiste para que ela ligue para a mãe.

Mabel e Jorge são o reflexo de muitas uniões atuais, muitas vezes não percebemos, mas as brigas tornam-se desnecessárias, a conversa diminui ou vira cobrança, as pessoas perdem o interessa em se cuidar, tudo o que antes pareciam interesses em comum, viram individuais.

Talvez o conserto dessas relações seja o divórcio, talvez a reconquista, o fato é que situações desesperadas exigem soluções, e é nelas que as pessoas encontram a felicidade, e conseguem tempo para se redescobrirem.

por Victória Profirio – especial para CFNotícias