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Crítica: Mademoiselle Paradis


Chega ao cinema a incrível história da talentosa Maria Theresia Paradis.  “Mademoiselle Paradis” é o título do filme que conta com riqueza de detalhes, toda a trajetória sofrida e inspiradora da pianista.

Cega desde criança, por diversas vezes seus pais a fizeram aceitar tratamentos em busca da cura, porém todos sem sucesso. Aos 18 anos, conhece o médico Franz Anton Mesmer (David Striessow), todavia os métodos utilizados por ele são controversos e questionáveis pela ciência tradicional da época.

Após conseguir bons resultados através da intervenção com Franz, Maria Theresia (Maria Dragus) consegue enxergar, mas perde sua virtuosidade musical – antes ela era vista como uma aberração que sabia tocar, ninguém queria ter contato com ela, mas todos apreciavam sua música.

Há uma carga emocional muito grande no longa, pois, durante o tratamento, Maria Theresia se sente tratada como gente e não como um peso que todos carregavam para onde queriam e que fazia o que mandavam. Pela primeira vez na vida ela tinha suas próprias vontades.

“Mademoiselle Paradis” também trata muitas questões atemporais como o lugar das mulheres na sociedade, a repressão feminina, o preconceito com deficientes – séculos se passaram e ainda discutimos essas mesmas questões, claro que houve um progresso, mas a passos muito lentos. E é muito evidente como as mulheres daquela época tentavam chegar a um acordo com todas as regras impostas, para encontrar seu espaço dentro do sistema restritivo que quase sempre tirava até sua liberdade de expressão.

Com todo esse leque de tema, a diretora Bárbara Albert, conseguiu trazer atualidade para a obra sem perder a originalidade da história, a todo o momento tem cenas que remetem a acontecimentos do nosso cotidiano. Uma obra inquisitiva, delicada, curiosa e com uma abordagem sobre a ciência muito bem traçada.

O filme todo é bem produzido e muito atrativo, não há erros de continuidade, conta com o apoio de uma trilha sonora intensa- com influências de Mozart – os figurinos são espetáculos à parte, ricos em detalhes que fazem o espectador viajar para o século 18.

A maquiagem impecável mostra uma sensibilidade estupenda para criar e diferenciar fisicamente os personagens, tendo em vista que os penteados e as roupas eram muito similares, pois era a moda da época. Nesse contexto a maquiagem fez toda a diferença no resultado final de cada personagem.

E por fim a fotografia que tem como plano de fundo as lindas paisagens geladas da Áustria, e todos aqueles castelos cheios de obras de artes: isso foi muito explorado pela diretora e foi uma sacada de mestre, pois tudo se complementa: história, cenário, trilha sonora e figurinos. O espectador com certeza sairá encantado e emocionado com toda a trajetória de Maria Theresia Paradis.

por Leandro Conceição – especial para CFNotícias