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Critica: Midway – Batalha em Alto Mar


O cinema entendido como grande espetáculo audiovisual é uma das marcas das produções dos Estados Unidos, especialmente de Hollywood. Já desde os primórdios, quando D. W. Griffith, em 1915, dirigiu O Nascimento de uma Nação, e em 1916 quando ele mesmo realizou Intolerância, essa condição de “espetáculo colossal” (como diziam os cartazes publicitários da época) o acompanha até hoje. Em especial nestas últimas décadas, que contam com tantos efeitos especiais e todo tipo de recursos tecnológicos.

Roland Emmerich, diretor de Midway: Batalha em Alto Mar (Midway), é um dos nomes mais vinculados a essa concepção de cinema. Seus antecedentes são bem claros, principalmente Independence Day (1996) e O Dia Depois de Amanhã (2004). Os custos de Intolerância e Midway são uma prova da índole de ambos: US$ 2.000.000 e US$ 100.000.000, respectivamente, fortunas em cada época.

Outras características dos filmes de Emmerich são apresentar uma ameaça colossal ao planeta ou aos EUA (O Ataque, 2013) ou oferecer uma aventura épica (O Patriota, 2000). Obviamente esses enormes perigos são enfrentados e superados por patriotas estadunidenses (identificados como “americanos”). A exaltação de tais heróis é absoluta.

Todas estas notas estão presentes em Midway: Batalha em Alto Mar. O mundo está ameaçado pela guerra e, também, o estão os EUA. Seus militares estão na Ásia e são atacados de forma traiçoeira pelos japoneses em Pearl Harbor (que já tem um filme prévio, de Michael Bay em 2001). Eles reagem em forma impecável, valente, sem falhas, com determinismo.

Depois, as batalhas continuarão deslocando-se para as ilhas Midway, no Oceano Pacífico. O filme não dá muita margem a algum tipo de incerteza e, se a morte se aproxima dramaticamente, o faz só para atingir a personagens pelo geral secundários ou que apenas complementam os protagonistas. Ou aos japoneses.

Porém, neste último quesito, há uma pequena variante: os asiáticos não são condenados como vilões cruéis, mas vistos como lutadores que caem honrosamente também. Pode surpreender um pouco neste diretor com grande inclinação ao dualismo maniqueísta. Embora o cinema estadunidense já tenha explorado em inúmeras oportunidades essa vertente de pura heroicidade dos protagonistas, também apresentou reconhecimentos a inimigos, mais especificamente aos japoneses – por exemplo, Clint Eastwood em Cartas de Iwo Jima e A Conquista da Honra (ambos de 2006).

Um dado no mínimo curioso e que chama a atenção, é que Roland Emmerich apesar de parecer um patriota ferrenho dos EUA, é alemão, nascido apenas 10 anos após do fim da Segunda Guerra Mundial, que enfrentou essas nações.

Sobre o orçamento multimilionário, mais uma palavra: se reflete na forma como foi realizado este filme, absolutamente cheio de efeitos especiais, em 2D e 3D. O resultado é impactante, a ponto de ser praticamente impossível descobrir nas imagens o que é derivado da pura tecnologia. Por exemplo, tomadas em ângulo zenital (absolutamente desde cima do objeto, em ângulo reto) resultam muito chamativas; ou um avião avançando em meio de chuva intensa e denso nevoeiro; ou infinito número de elementos que aparecem na sucessão de batalhas aéreas e marítimas. Sobre esta superabundância tecnológica, mais uma vez é muito ilustrativo ficar na sala assistindo até o final a projeção para perceber que foram milhares os técnicos que participaram da produção.

Fotografia, edição, atuações, música, som, figurino, acompanham em modo competente e formam um conjunto vibrante, com aviões, navios, fogo, barulho de motores, armas, bombas, explosões (que às vezes fazem vibrar a sala), etc. Tudo, para constituir um relato linear, com alguns toques românticos e até de humor irônico e procurando sempre suscitar emoções.

Em resumo, Midway – Batalha em Alto Mar não vai defraudar os espectadores que procurem um grande espetáculo, principalmente na telona, em particular àqueles que saibam o que Emmerich pode oferecer.

por Tomás Allen – especial para CFNotícias