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Crítica: Morto não fala


Sabemos que em nosso país os gêneros cinematográficos mais desenvolvidos tendem a ser o drama e a comédia – que por sinal em sua grande maioria, são bem construídos, porém, é fato que há tempos os espectadores esperam alguma novidade direcionada ao terror nas telonas, e finalmente ela chegou.

“Morto não fala”, dirigido por Dennison Ramalho, conta história de Stênio (Daniel de Oliveira), funcionário de um necrotério que possui o dom de conversar com os mortos. Realizando plantões à noite e acostumado a ouvir os relatos dos cadáveres, as coisas mudam quando o rapaz escuta um segredo sobre seu casamento. Ao tomar uma providência, ativa uma maldição que afetará sua própria vida e a das pessoas a sua volta.

Apesar do longa trilhar os caminhos da imaginação, a inspiração para a história surgiu de uma mistura de fatos reais e fictícios contados pelo jornalista Marco de Castro, que enriquecia seu blog pessoal com relatos de acontecimentos macabros que ocorriam durante a noite na cidade de São Paulo.

Dennison Ramalho soube explorar muito bem a questão entre o limite do que tudo parece ser. Em diversos momentos a pessoa que está assistindo poderá ter duas percepções diferentes sobre o que está sendo apresentado, como por exemplo: o fato de conversar com os mortos é um dom ou um distúrbio?; será que o “outro lado” existe ou a culpa por fazer algo terrível pode corromper a sanidade de uma pessoa?

Referente aos efeitos especiais, eles causam certa estranheza, o movimento dos rostos dos cadáveres parecem um pouco amador. Entretanto, a sonoplastia consegue efetuar um bom trabalho, deixando o espectador apreensivo à espera de um susto.

Um ponto importante a ser ressaltado, é que durante o trabalho de produção do longa, o diretor e parte do elenco visitaram necrotérios para realizar uma pesquisa mais ampla e atribuir detalhes minuciosos às cenas, portanto, em diversas momentos temos a presença de muito sangue falso, corpos mutilados e órgãos expostos.

Além do sobrenatural, a produção retrata a questão da violência urbana em suas várias vertentes, temos exemplos de mortes causadas por feminicídios, briga de torcedores de times rivais, criminalidade, entre outros. Tudo faz com que ocorra uma reflexão sobre o porquê as pessoas não tomam consciência do que estão fazendo, enquanto ainda estão vivas. Então este não é apenas um longa para assustar, mas para abordar questões sociais frequentes em nossa sociedade.

por Victória Profirio – especial para CFNotícias