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Crítica: O Grito


Inspirado em uma maldição folclórica japonesa, a qual diz que quando uma pessoa morre num momento de extremo ódio, uma maldição nasce, tomando a forma das vítimas e habitando o local da morte, assombrando e matando qualquer um que entre em contato com ela, o cineasta japonês Takashi Shimizu criou uma série de filmes e curtas metragens de grande sucesso, tanto no Japão, quanto no exterior. O grande problema da série criada por ele era um só: a falta de criatividade. A história era, basicamente, uma repetição de si mesma em todos os filmes.

Batizada de “Ju-On” no Japão, a franquia ganhou o nome de “O Grito”, quando o mesmo Takashi Shimizu comandou a adaptação para os cinemas americanos em 2004 e, mesmo dando origem a uma trilogia, o erro se repetiu em todos os longas da série: a história basicamente se repetia.

Ou seja, Shimizu já havia feito ao menos cinco filmes iguais uns aos outros, explorando a lenda japonesa e, quando a oportunidade de uma nova adaptação e um novo começo para a trama surgiram com a entrada dos americanos na franquia, o que se fez foi copiar novamente todas as histórias já feitas (lembrando que a versão americana é uma trilogia, ou seja, a narrativa se repetiu por mais três filmes).

Isso nos traz até 2020. “O Grito” (The Grudge), reboot dirigido por Nicolas Pesce, conta com o próprio Takashi Shimizu entre os roteiristas. O que vemos na tela durante a projeção é algo que lembra tudo, menos um reboot, devido a sua falta de originalidade e criatividade.

Sem contar com nenhum nome de peso no elenco (a versão de 2004 trazia Sarah Michelle Gellar), a ação começa quando a policial Muldoon (Andrea Riseborough) se muda para uma pequena cidade e, ao investigar um cadáver encontrado em uma estrada, chega até uma casa que tem em sua história uma série de assassinatos devido à maldição de Kayako – aquela que diz que, após uma morte em meio a extremo ódio, o local da morte fica amaldiçoado.

A partir daí, o filme passeia, de uma maneira muito hábil pela linha do tempo das pessoas que passaram pela casa após a instalação da maldição. Com um visual bem elaborado nas cenas mais fortes (cadáveres e mutilações), segue os mesmos passos das produções anteriores, com sustos fáceis e uma narrativa bem simples.

Não há aprofundamento na origem da maldição e muito menos na personalidade dos personagens. Em suma, é uma repetição dos outros títulos baseados na maldição: mesmos personagens, mesma trama que conta com uma casa mal assombrada envolvida em uma história rasa.

Ao menos o clima de suspense funciona. Mas, sem um grande susto, tudo se coloca a perder. Infelizmente, foi perdida uma grande chance de ser criado um olhar mais moderno para essa história de anos e que jamais teve a sua essência alterada. “O Grito”, jamais deixou de ser o “Ju-On” do inicio dos anos 2000.

por Jean Markus – especial para CFNotícias

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.