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Crítica: O Pintassilgo


Talvez o grande acerto de “O Pintassilgo” (The Goldfinch) seja o elenco, já que a adaptação do best-seller de Donna Tartt rendeu um filme de 2 horas e 30 minutos, o que em determinados momentos é um tanto quanto cansativo. Sob a direção de John Crowley, o longa entrega o que o gênero promete: um drama – frágil, porém um drama.

Theodore Decker (Oakes Fegley / Ansel Elgort) – é um garoto que perdeu a mãe em uma explosão provocada por um terrorista no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Após o fato, ainda em meio aos destroços, ele encontra um senhor desconhecido que ao confundir Theo com outro alguém o faz prometer levar um quadro de um pequeno pássaro – um pintassilgo -, do local, e além disso, entrega a ele um anel e pede para que o leve até a um local. Ainda confuso pelo que aconteceu, o menino vai para seu apartamento com o quadro e a joia, e pela tevê descobre que sua mãe morreu.

Theo é abrigado pelos Barbour, a Sra. Samantha (Nicole Kidman) faz o possível para deixa-lo confortável, porém a todo o momento sentimos uma tensão entre ela e o garoto. Com passar dos dias, ele resolve procurar o local para entregar o anel, e se surpreende com uma loja de antiguidades onde conhece Hobie (Jeffrey Wright) e Pippa (Aimee Laurence), sobrinha do homem que lhe deu o anel e estava no local do acidente e também foi afetada severamente pelo atentado.

O longa faz um vai e vem entre a adolescência e a vida adulta de Theodore, e é inegável que a carga dramática e o peso da atuação fica por conta de Oakes Fegley – o ator de 14 anos dá muito mais dor ao personagem do que Ansel consegue ao decorrer de suas cenas.

O roteiro trata temas que afetam muitas pessoas, como a culpa, o modo como nos encarregamos de nossas próprias amarguras tentando encontrar culpados para coisas inevitáveis e a forma como essa culpa pode nos afetar até mesmo na tomada de decisões simples.

Cheio de frases de efeito e até reflexivas, a cada momento vemos um garoto/homem que enquanto é consumido por seus próprios fantasmas permanece o tempo todo bem vestido, com um ar intelectual, sorridente, sem que alguém desconfie do seu vício em drogas ou que carrega consigo uma obra de arte secular que foi dada como destruída durante o atentado.

Apesar de extenso, o filme consegue realizar o que propõe com louvor, logicamente analisando apenas a obra que chega aos cinemas – os amantes do livro podem ter uma visão divergente, afinal raramente adaptações entregam na totalidade o que os leitores esperam. Contudo, “O Pintassilgo” é mais uma boa produção hollywoodiana. Vale conferir.

por Carla Mendes – especial para CFNotícias