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Crítica: O Último Rei da Sérvia


O Último Rei da Sérvia” (King Petar The First) é um filme de guerra, baseada em fatos reais, dirigido por Petar Ristovski. Lançado em 2018, é baseado no livro King Petar’s socks (As meias do Rei Petar), escrito por Milovan Vitezović’s em 1994, e é fruto da condensação de uma série de onze episódios lançada um ano depois do filme. O longa biográfico foi escolhido pela Sérvia para representar o país na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2020.

A narrativa tem como personagem principal o veterano de guerra Petar, O Primeiro. Este é um rei afastado da Sérvia que quer paz e prosperidade para seu país, mas que durante a Primeira Guerra Mundial retorna ao seu posto de rei e enfrenta com sucesso duas batalhas. Ainda assim, o governo decide pela retirada do exército sérvio e o rei Petar é obrigado a conduzir seus homens pelas gélidas montanhas da Albania, em uma jornada física e mentalmente desafiadora.

No mundo do cinema há muitos títulos de guerra, tanto sobre a Primeira quanto sobre a Segunda Guerra Mundial, tornando difícil o surgimento de obras que tragam algo de novo, contudo pouco é retratado no cinema sobre a Sérvia, a nação que mais sofreu durante a Primeira Guerra perdendo um terço de sua população.

A produção, então, aborda a Primeira Guerra sobre esse novo olhar por intermédio de duas linhas narrativas que se encontram durante a narrativa. Na primeira dessas linhas, acompanhamos o desiludido Petar, interpretado por Lazar Ristovski – conhecido como Último Rei da Sérvia e Primeiro Rei dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, também chamado de O Libertador.

Já com idade avançada e sofrendo de artrite, o rei apresenta uma visão realista sobre os terrores da guerra ao mesmo tempo em que se esforça para ser uma figura de esperança e apoio aos soldados.

Na segunda linha narrativa, acompanhamos o jovem soldado Marinko Spasojevic que continuamente escreve para sua mãe Makrena, e o menino Momčilo Gavrić, que após ter sua família assassinada se junta ao exército sérvio.

A obra (disponível no Cinema Virtual), que conta com o apoio do governo sérvio, tem a intenção de apresentar ao público do país e de fora dele, um pouco da história da Sérvia e de um dos mais famosos monarcas locais em conjunto com as comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial.

Claramente, tem como um de seus propósitos exaltar não só a figura do rei Petar, mas também de seus soldados, através do personagem de Marinko, e de Makrena Spasojevic, que ao pedir ao monarca que entregasse um par de meias de lã ao seu filho Marinko ficou conhecida como a mãe que chorou a morte de todos os filhos mortos durante a guerra. Apesar disso, tem como verdadeiro trunfo o pequeno Momčilo Gavrić, interpretado por Ivan Vujić.

Conta com uma bela fotografia, principalmente nas cenas com neve, e cenas de batalhas bem construídas. “O Último Rei da Sérvia”, que tem duração de duas horas e dez minutos, é longo e tem uma montagem que pode ser arrastada para alguns – provavelmente por ter sido filmado para ser originalmente uma série televisiva – mas, certamente, pode agradar os fãs de filmes históricos ou de guerra.

por Isabella Mendes – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.