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Crítica: Os Orfãos


Os filmes de terror parecem viver uma crise nos últimos anos, infelizmente é possível ver muito do mesmo em vários longas e tomar sustos passou a ser raridade nas salas de cinema.

“Os órfãos” (The Turning) é uma adaptação do livro “A Volta do Parafuso” do escritor Henry James, que fez muito sucesso em 1898, ano de sua publicação. O filme faz algumas referências à história original, como por exemplo, abordar fantasmas em uma mansão mal-assombrada e manter sempre um ar de suspense durante todo o enredo – mesmo que o final seja totalmente previsível.

Kate (Mackenzie Davis) é contratada para tomar conta de um casal de irmãos, Flora (Brooklynn Prince) e Miles (Finn Wolfhard), mas acaba se deparando com uma série de problemas pela frente. A tarefa que devia ser simples, passa a ser um pesadelo na vida da moça, que em determinado momento parece não ter noção alguma do que está fazendo ali.

Miles é dono de uma personalidade dúbia e muito complexa, nota-se o quanto o garoto é perturbado por algum motivo, mas vale ressaltar que ele é quem movimenta a trama central da história. Finn, que já fez parte de outros trabalhos complexos como: “IT: A Coisa” e “Stranges Things”, parece lidar bem com personagens inusitados, tendo-se em vista que ele tem uma boa atuação neste thriller de terror.

Mackenzie Davis se destaca em vários momentos, desde sua primeira cena é notório o quanto ela se dedicou para viver essa personagem, seu olhar e suas feições demonstram a insegurança e o medo que Kate devia sentir durante as noites de horror vividas na Mansão Bly.

Mas o terror em si ficou a desejar, percebe-se que faltou um pouco mais de originalidade para causar o devido impacto, ou pelo menos o susto que se espera quando se assiste a um filme do gênero.

O longa-metragem tem direção de Floria Sigismnondi, a ítalo-canadense que já dirigiu trabalhos como: “Flicker” (2008) e “The Runaways” (2010) foi responsável por dar vida a uma história de assombrações, mas parece que o único acerto que teve foi no clima de suspense que ela soube trazer para o filme.

É importante destacar que o decorrer da narrativa traz várias questões para quem assiste e, é possível se sentir confuso pelo que vai sendo apresentado a cada cena, principalmente em seu desfecho.

Vale ressaltar o brilhante trabalho da produção: por mais que não seja algo assustador, as cenas foram bem produzidas e idealizadas. Não é possível perceber os efeitos especiais nas sequências de terror e o principal, a escolha da casa para as gravações foi excelente. A locação foi crucial para a execução das filmagens internas e externas, que ficaram muito boas.

“Os Órfãos” chega aos cinemas contando com um elenco sensacional e com um clímax curioso que pode chamar a atenção dos amantes de terror e suspense.

por Pompeu Filho – especial para CFNotícias

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.