Crítica: “Pequena Grande Vida”


A princípio, “Pequena Grande Vida” (Downsizing) parece uma comédia leve e sutil, mostrando a vida e os obstáculos do personagem principal Paul Safranek (Matt Damon)ao decidir ser encolhido de tamanho para ter uma vida economicamente mais interessante.

Cenas de efeitos especiais e escalas entre o mundo real e o das pessoas encolhidas dão brilho à história desde o início. A fotografia primorosa enche os olhos na tela grande, com destaque para as cenas estonteantes da Noruega.

Há também a louvável justificativa ao fundo de “salve o planeta diminuindo seu impacto ambiental” e o processo de encolhimento na primeira parte soa até cientificamente plausível dentro da história.

Até aí, pareceu-me um entretenimento para toda a família, com piadinhas sutis. Destaque para o momento engraçado do choque de Matt Damon, quando discute a ausência da esposa Audrey (papel de Kristen Wiig).

Na segunda metade, o tom da história muda, se torna extremamente realista e causa incômodo quando passa a criticar a disparidade das classes sociais da cidade em miniatura, mas não sai da crítica em si. Mesmo assim, o ator Christoph Waltz (que interpreta Dusan Mirkovic) rouba a cena de modo escancarado e diverte muito mais que o protagonista.

A manipulação psicológica entre os personagens chegou a pesar no meu estômago, faltou química entre o casal de protagonistas e mesmo com um final que me decepcionou, saí do cinema buscando memorizar o diálogo a respeito dos 10 tipos de transa, que merece ser repetido em conversas com adultos.

Pelo menos a moral da história foi muito clara: Não importa o tamanho, os problemas serão os mesmos e somos fruto das nossas escolhas.

O filme é de um realismo puro, mas preso no desespero de não saber como resolver nossa sociedade. Para ser apreciado como um retrato do nosso tempo.

por Maria Gabriela Pereira – especial para a CFNotícias