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Crítica: Rainha de Copas


Uma advogada de sucesso que se envolve profundamente com suas causas e clientes, mãe excepcional e esposa dedicada, essa é Anne (Trine Dyrholm), que inicialmente em “Rainha de Copas” (Queen of Hearts) demonstra plena consciência de seus valores morais e éticos e desfruta de uma vida perfeita.

Contudo, toda a percepção de Anne sobre a vida que leva começa a mudar quando o filho de seu marido passa a viver com eles. Gustav (Gustav Lindh) é um adolescente problemático e inicialmente rejeita a nova família.

No drama dirigido por May El-Toukhy o que a princípio é retratado como o relacionamento estruturado, dá lugar ao marido ausente e à falta de emoção, levando assim, à aproximação de Anne e Gustav.

A relação de Gustav com a família é um tanto quanto conturbado, o garoto não esconde o fato de que não quer estar ali, mesmo todos fazendo o possível para recebê-lo bem.

Quando Anne tenta colocar o garoto na linha, os dois acabam se aproximando. Talvez Gustav represente algo que ela não tivesse aproveitado tão bem – a juventude. Percebemos no decorrer da história, que a jovialidade de Gustav é o que mais encanta Anne: ele é a excitação, o desconhecido, o imprevisível.

A direção trabalha muito bem com detalhes estéticos como os enquadramentos e a fotografia em nuances mais frias é um belo complemento, faz muito sentido para a narrativa.

O roteiro em si é bom, entretanto, fica um pouco superficial o desenvolvimento da relação entre Anne e o marido e o interesse súbito da mulher pelo enteado. Talvez na tentativa de mostrar a imprevisibilidade da vida humana ou simplesmente porque duas horas seja pouco tempo para trazer profundidade a coisas demais – mesmo sendo tempo suficiente para a construção de uma boa obra.

Talvez minha visão seja um tanto quanto puritana, pois assistir a cenas de sexo explícito entre a madrasta e seu enteado foi bastante perturbador, mesmo com total consciência de que é ficção, principalmente quando a produção deixa claro que o garoto é menor de idade.

O longa fica ainda mais incômodo quando o garoto não aguenta o fardo de ter um caso com a própria madrasta e resolve expor toda história ao pai, e o último ato é um tanto quanto frustrante.

Vale lembrar que a atuação de Trine Dyrholm é impecável e que “Rainha de Copas” recebeu indicações a prêmios europeus.

O drama está disponível no Cinema Virtual. Confira!

por Carla Mendes – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.