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Crítica: Retrato do Amor


O que há de mais encantador em filmes é a capacidade de transportar o público para outras dimensões, sejam eles de fantasia ou não. E “Retrato do Amor” (Photographer) é um destes, capaz de te levar a outra realidade. O longa dirigido por Ritesh Batra narra sutilmente a construção do encantamento entre Rafi e Miloni.

Pressionado por sua Avó quanto a ter uma noiva, Rafi (Nawazuddin Siddiqui), um fotógrafo de rua de Mumbai, procura uma solução para fugir de um casamento arranjado. Enquanto isso, Miloni (Sanya Malhotra) é uma jovem que acaba de passar em primeiro lugar no vestibular e tem seu rosto estampado em outdoors pela cidade.

Como em todo romance, há o famoso clichê do casal viver em realidades completamente opostas. O rapaz vive em uma região periférica, trabalha incessantemente na tentativa de quitar uma dívida e recuperar a casa de sua avó. A moça vive uma vida confortável e dedica-se somente aos estudos.

Rafi avista a moça, que parece perdida e deprimida, e tira uma fotografia dela – é isto que os conectará. Ele mentirá para sua avó dizendo que já possui uma namorada e envia uma fotografia de Miloni à senhora, que partirá do interior ao encontro do neto e de sua “amada”.

A doce senhora é divertida, a personagem é a cereja do bolo, a maior arte dos diálogos que trazem humor ao longa partem dela. Uma vez que, entre o casal poucas palavras são trocadas, inicialmente eles passam uma sensação de desconforto ou de inércia.

É curiosa a forma como algo cresce entre o casal, nada é dito, mas percebemos que algo grande está por vir. Haverá quem discorde, porém a atuação de Nawazuddin e Sanya é perfeita, afinal quantos atores conseguem dar vida a um sentimento apenas com olhares, expressões e pequenos gestos? Pois bem, os dois conseguiram.

O instigante é que em vários momentos não são dadas respostas ao espectador, e até na conclusão da obra muitos parênteses ficam abertos, convidando o público a imaginar a história que virá a seguir.

Ótima oportunidade de aproveitar um romance que tem os mais variados clichês, típicos do gênero, mas que misteriosamente foge e satiriza todos eles.

por Carla Mendes – especial para CFNotícias