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Crítica: Rogai Por Nós


“Rogai Por Nós” (The Unholy) é baseado no livro “Shrine”, de James Herbert, publicado na década de 1980, sobre um jornalista que, após viajar para cobrir uma matéria, acaba presenciando milagres de cura feitos por uma jovem com deficiência auditiva, mas que passa a ouvir e falar perfeitamente depois de uma aparição de Maria. Apesar de ela atribuir os milagres à Virgem Maria, eventos sinistros dão a entender que algo de profano e demoníaco possa ser o verdadeiro responsável.

A dualidade entre sagrado e profano, e o terror com temas religiosos é algo que tem crescido no cinema, vide o sucesso de “A Freira”, de 2018. Em um universo em que a maioria dos filmes tem roteiros parecidos, “Rogai Por Nós” traz uma novidade em sua trama ao usar de uma forma diferente esse elemento e trabalhar com a questão de enganar e manipular a fé e crenças das pessoas.

Apesar de um mote mais inovador, o filme não inova muito em sua execução, recorrendo a clichês comuns de longas de terror, como uso de CGI e trilhas sonoras que se resumem a preparar o espectador para os jumpscares. Consegue dar alguns bons sustos e prende a atenção do espectador até o final, mas tinha potencial para ser um ainda melhor.

Com uma premissa muito boa, e o nome de Sam Raimi na produção, alguns podem sair decepcionados com a forma como a narrativa é conduzida, pois, apesar do início instigante, percorre um caminho já visto em muitos títulos de terror. Conta com uma cena interessante em sua abertura, mas ao revelar um fato importante logo no início da trama, esbarra em dificuldades para manter a tensão e suspense no roteiro.

A obra faz um paralelo interessante sobre fé e verdade versus manipulação e mentira, principalmente através do personagem de Gerry, muito bem interpretado por Jeffrey Dean Morgan, um jornalista que teve um problema no passado e que parece mentir em suas reportagens para tirar proveito próprio. A entidade maligna da trama faz algo parecido, mente, distorce os fatos e manipula a fé das pessoas, mas para um fim muito mais macabro.

A personagem de Alice convence bem como uma adolescente religiosa que acredita, sem dúvidas, que está sendo conduzida por algo sagrado. Seria interessante se a personagem tivesse sido mais aprofundada e se o filme tivesse trabalhado mais seu papel nos momentos finais da trama, mas a atuação de Cricket Brown é boa e convincente, sem usar de grandes exageros comuns em filmes do gênero.

Talvez com uma direção diferente, “Rogai Por Nós” poderia se tornar um clássico do terror, mas cumpre bem sua proposta e consegue apresentar algo novo, além de contar com um bom elenco. Para os fãs do estilo cinematográfico, é certamente algo que vale a pena assistir.

por Isabella Mendes – especial para CFNotícias

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*Título assistido via streaming, a convite da Sony Pictures Entertaiment.