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Crítica: Ron Bugado


Chega aos cinemas uma animação que não deve ser vista apenas como uma obra de cunho infantil e de diversão, mas também como uma grande e sincera crítica social ao nosso individualismo digital e, especialmente, de nossas crianças e jovens por todo o mundo. “Ron Bugado” (Ron’s Gone Wrong) promete muitas risadas, aventura do começo ao fim e uma história de amizade sem igual.

A história se passa em uma típica cidade americana, e mostra a rotina comum de estudantes do ensino fundamental. A grande mudança ocorre quando uma grande empresa de tecnologia lança o novo B-Bot, que é um robô com uma inteligência artificial adaptável, ou seja, aprende os hábitos e desejos das pessoas e conecta a todas as suas redes sociais digitais.

E o jovem Barney – ou “Ambrósio” para os íntimos (voz de Jack Dylan Grazer na versão original) – é o único na cidade que não tem o novo amiguinho robótico. Até que seu pai Graham (voz de Ed Helms) e sua avó Donka, (voz de Olivia Colman) compram uma unidade com um pequeno defeito e que chega para causar muita confusão.

Até esse ponto, a falta de interatividade causa a Barney uma reação por parte da turma da escola (entenda-se isolamento) – o que vemos no mundo real, pois como no início ele não possui o B-Bot como todos que o cercam, fica impedido de se relacionar com seus colegas de sala.

Ron (voz de Zach Galifianakis) representa uma linha de pensamento da desconexão digital, pois por estar avariado, ele não consegue acesso ao mundo virtual e se vê obrigado a aprender mais de seu novo amigo Barney por meios tradicionais, como por exemplo, conversar presencialmente, enquanto a maioria dos jovens só consegue uma interação com os amigos através de seus B-bots.

Posso me arriscar e dizer que a animação dirigida por Sarah Smith (que assina o roteiro ao lado de Peter Bayhman) e Jean Philippe-Vine é um espelho refletindo nossa sociedade atual, na qual as pessoas não tiram seus olhos dos smartphones e redes sociais digitais, confraternizam com seus “amigos” virtuais, mas nem sempre possuem uma conexão real.

O roteiro foi muito bem estruturado com essas questões digitais tão atuais em nossa sociedade e como elas afetam a vida de praticamente todas as pessoas: pais, mães, jovens, crianças e várias outras pessoas de todas as condições sociais.

A imposição do status digital é uma condição para a aceitação de alguém em determinado grupo. Pode ser por possuir um smartphone mais moderno ou da moda ou ter um número grande de seguidores em algum perfil digital, o que acaba causando ansiedade e estresses emocionais diversos.

Mas calma não estou dizendo que a produção não é divertida, pois ela é, e muito. Em diversos momentos há piadas sensacionais, assim como momentos tocantes, que irão agradar adultos e crianças do começo ao fim. Só que no fundo temos este alerta, para que fiquemos atentos à nossa vida fora do mundo digital e que aproveitemos cada momento fora das redes e mais na realidade.

É uma aventura emocionante e que vale a pena levar toda a família para conferir nos cinemas. Respeitando, é claro, todos os protocolos de segurança para não ficar bugado.

por Clóvis Furlanetto – B-Editor

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela 20th Century Studios.