Go to ...
CFNotícias on YouTubeRSS Feed

Crítica: Se a Rua Beale Falasse


Barry Jenkins carregou toda a carga de seu premiado trabalho anterior, “Moonlight – Sob a Luz do Luar”, desde o anúncio de seu novo filme, que apesar de muito diferente, conta ainda o olhar do diretor e traz um resultado franco e emocionante.

Adaptado do livro de mesmo nome, escrito por James Baldwin em 1974, “Se a Rua Beale Falasse” (If Beale Street Could Talk) conta a história do casal Clementine “Tish” Rivers (Kiki Layne) e Alonzo “Fonny” Hunt (Stephan James), jovens negros apaixonados que seguem juntos e separados no decorrer da narrativa.

A produção se passa em meados dos anos 1960, mas tem toda uma atemporalidade em si. No trama, após Fonny ser preso injustamente, acompanhamos toda a luta de Tish e de sua família para libertá-lo. O agravante? Tish engravida antes de Fonny ser preso, e batalha para que seu filho nasça com o pai livre.

Ainda que a obra não seja panfletária, e em nenhum momento a palavra racista ser dita, o conceito fica evidente. Mesmo tratando de um tema difícil, triste e por vezes devastador, o filme ganha uma beleza impressionante na paleta de cores e da fotografia. A trilha sonora de Nicholas Brittel nos leva a momentos singelos e profundos de forma admirável.

O longa que não se foca só no casal, ou só em Tish, nos mostra uma gama de outros personagens em ação e nos ajuda a entender melhor o universo dos protagonistas. Apesar de algumas cenas se utilizarem de um enquadramento excessivo deixando alguns atores um pouco presos e menos espontâneos, Jenkis se demonstra eficaz em aprofundar seus personagens de maneira simples como no emocionante momento com Bryan Tyree Henry como Daniel, amigo de Fonny, e sua fala sobre seus dias na prisão.

O diretor consegue transpor à tela o amor em meio à luta e ao desastre de uma forma bela e quase que catártica, no título que chega aos cinemas com três indicações ao Oscar – Melhor Atriz Coadjuvante (Regina King), Melhor Roteiro Adaptado (Barry Jenkins) e Melhor Trilha Sonora Original (Nicholas Britell).

por Isabella Mendes – especial para CFNotícias