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Crítica: Segredos nas Montanhas


Com um suspense afiado e uma temática bem trabalhada, “Segredo nas montanhas” (Magic Mountains) é competente em construir um clima de tensão, mesmo em um ambiente tão aberto e claro quanto as regiões montanhosas na Polônia.

Na trama acompanhamos Lex (Thomas Ryckewaer), um escritor bem-sucedido que, inconformado com o término de seu relacionamento, convida sua ex-esposa Hannah (Hannah Hoekstra) para uma última viagem juntos as montanhas da Polônia, com o propósito de tentar deixar no passado de vez seus sentimentos remanescentes. Mas,  conforme a viagem avança, Hannah começa a se sentir ameaçada com o comportamento cada vez mais estranho por parte de seu ex-marido.

Assim como sua obra mais premiada, “Nothing Personal” (2009), a cineasta Urszula Antoniak busca construir sua narrativa por meio do minimalismo. O filme se utiliza de poucas locações e em geral se passa em ambientes amplos, isso contribui muito com a crescente tensão que a trama propõe. No entanto, é um crescimento lento, que vai tomando forma em cada atitude suspeita que Lex tem no decorrer da história.

As locações designadas pela produção são belíssimas, mesmo com o tom acinzentado que foi escolhido como paleta de cores para a película – esse detalhe passa a impressão de frio e claustrofobia a todo momento, mesmo a trama se passando em grande parte em cenários amplos como florestas e montanhas.

A trilha sonora e a ausência da mesma em pontos chaves do longa também merecem ser destacados. A música é utilizada como uma poderosa ferramenta para potencializar a tensão, deixando cada situação e atitude suspeita de Lex com um teor muito mais ameaçador.

O silêncio também cumpre esse papel muito bem: a montagem é extremamente competente em saber quando usar a trilha e quando deixar somente o som da natureza intensificar determinados sentimentos como o desespero ou a solidão.

No subtexto do roteiro também é possível notar uma alegoria a uma infeliz realidade que muitas mulheres enfrentam: a constante sensação de incerteza e insegurança após um término de relacionamento conturbado. É fácil perceber que a constante sensação de ameaça que Hannah sente em meio às montanhas é uma forma de representar um sentimento vivenciado por muitas mulheres dentro do contexto social “normal”.

Em termos gerais, “Segredo nas Montanhas”  – que está disponível no Cinema Virtual – é um bom filme de suspense, com uma ambientação sensacional e com pequenas doses de críticas sociais que ajudam a dar mais profundidade ao roteiro. Porém, seu ritmo mais cadenciado talvez possa afastar aqueles que buscam por um suspense com ritmo acelerado e que utilizam de artifícios mais característicos dos suspenses hollywoodianos.

por Marcel Melinsk – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.