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Crítica: Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal


“Nós Serial Killers, somos seus filhos, nós somos seus maridos, nós estamos em toda parte”. Com esta frase, o Serial Killer americano Theodore Robert Cowell, mais conhecido por Ted Bundy – cuja cinebiografia estreia nesta semana após uma bem sucedida série na Netflix – define bem a sua personalidade e a linha narrativa que o filme seguirá.

Dirigido por Joe Berlinger (que também assina a série da Netflix), estrelado por Zac Efron e baseado nas memórias de sua ex-namorada Liz Kendall (vivida por Lily Collins), Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile) opta por exibir basicamente o que a garota via: um homem bonito, inteligente, bem articulado, apaixonado pela namorada e pela filha dela, que faz planos para o futuro e que é “surpreendido” quando a polícia o torna suspeito em um caso de tentativa de sequestro de uma jovem.

Devido a essa linha narrativa, o filme jamais foca no lado homicida de Ted Bundy – o assassino violento, bem como as suas mais de 30 vítimas somente são mencionados e suas histórias jamais aprofundadas. O foco, aqui, é a sua personalidade cativante, dúbia e doentia que faz com que, em momento algum, imaginemos aquele homem cometendo tais atrocidades.

E o mérito disso só tem um nome: Zac Efron. Bonito e esbanjando o carisma e a simpatia de um príncipe da Disney que o transformou em um astro, Efron cria um Ted Bundy extremamente cativante (repare em como ele agradece de maneira educada os guardas da prisão que tiram as suas algemas em seus dias de visita) e manipulador.

Em um elenco que conta com atores experientes como John Malkovich (excelente), Haley Joel Osment e até iniciantes como o guitarrista/vocalista da banda Metallica, James Hetfield, é Efron o responsável por manter o suspense que uma personalidade dúbia como a de Bundy pode nos proporcionar e faz o espectador, em determinados momentos, até torcer por ele. Exibir este lado humano do protagonista, torna crível o interesse romântico de Carole Ann Boone (vivida por Kaya Scodelario) que se apaixona por Bundy quando o mesmo já se encontra preso e acusado de vários crimes.

Iniciando a trama quando o ainda estudante de direito Bundy conhece a então garçonete Liz, o filme trata de reproduzir fielmente as mais famosas passagens de sua vida (com destaque especial para o seu midiático julgamento), sem se aprofundar muito nos fatos e até deixando de lado detalhes importantes (como o fato de que a sua namorada, na realidade, encontrou muitas evidências de que Ted era um criminoso), não se não se perde na narrativa e consegue manter um grande clima de suspense sem carregar no drama.

O foco não é na história e sim em um ser humano complexo. Em tempo: a produção não dá respostas fáceis sobre quem foi Ted Bundy ou o que o motivou a cometer os seus crimes, pelo contrário, nos mostra um homem comum e inteligente, levando o espectador a pensar que, sim, ele poderia seu o seu filho ou o seu marido.

por Jean Markus – especial para CFNotícias