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Crítica: Tempo


Chega aos cinemas a nova obra cinematográfica do aclamado diretor M. Night Shyamalan que possui a maestria para produzir filmes enigmáticos e assustadores. Com sua nova produção “Tempo” (Old), o cineasta promete deixar muita gente com uma grande interrogação em suas mentes durante a exibição.

Essa dúvida só será sanada ao final da produção, quando as devidas explicações são dadas, mas não sem antes criar toda uma situação de medo, angústia, terror e sofrimento que são a marca registrada do diretor.

A história narra a chegada de uma família em um hotel para férias e sua ida a uma misteriosa e isolada praia. Após algum tempo, o casal Guy (Gael Garcia Bernal) e Prisca (Vicky Krieps) e seus dois filhos Maddox (Alexa Swinton) e Trent (Nolan River) descobrem que o tempo passa de maneira diferente neste ambiente e por algum motivo estão envelhecendo vários anos em questão de horas.

Revelar mais detalhes da praia ou do que acontece não é o mais recomendado, mas o trailer oficial já mostra algumas situações como a transformação de uma criança em um adolescente rapidamente, bem como o envelhecimento precoce de alguns adultos. Focarei nos aspectos psicológicos que pude verificar e que, com certeza, foi a intenção de Shyamalan para que possamos sentir o peso do própio tempo em nossas vidas.

Não gosto de generalizar, mas acredito que quase todo mundo já parou para pensar em seu próprio envelhecimento e as consequências que este processo nos trará. Só que este fato em nossas vidas ocorre de forma gradual e no filme acompanhamos a evolução do que seria visto em anos em algumas horas: ao final de apenas um dia, uma vida inteira pode terminar.

É realmente uma obra para refletir e o roteiro que foi desenvolvido tendo como base um sucesso das histórias em quadrinhos de nome “Sandcastle” (Castelo de Areia) – lançado em 2010 pelos autores de Pierre Oscar Lévy e Frederik Peeters – trata essencialmente da mesma trama com algumas mudanças para criar uma narrativa mais dinâmica.

O acréscimo de alguns personagens que acompanham a família na praia misteriosa cria uma dramacidade mais envolvente e terrível com as decisões que precisam ser tomadas, mas que podem ser fatais.

Talvez estejam achando estranho eu não ter citado as atuações, mas todo o elenco está tão coeso que fica desnecessário falar quem atuou melhor ou não. Basta dizer que cada figura tem um papel importante no todo.

O mais indicado é que chegue aos cinemas (ou futuramente veja nas plataformas digitais) com a mente aberta e atenção a todos os detalhes possíveis, pois temos a rara chance de vislumbrar uma envolvente história onde o foco são as pessoas e suas crises e preconceitos, mas não a tecnologia ou efeitos especiais – o que, para este colunista, representa um merecido e necessário tempo nas agitadas atribulações que vivemos neste mundo tão conturbado.

Vá ao cinema respeitando todos os protocolos de segurança e chegue a tempo para assistir uma verdadeira obra-prima da vida.

por Clóvis Furlanetto – Editor Atemporal