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Crítica: “Um Amor Inesperado”


Chega aos cinemas a envolvente história de Ana (Mercedes Morán) e Marcos (Ricardo Darin) que, casados há 25 anos, resolvem se divorciar após o único filho ir estudar na Espanha.

A comédia romântica “Um Amor Inesperado” (El Amor Menos Pensado) retrata com leveza o desgaste de um casamento que caiu na rotina, e que com o passar dos anos acarreta o fracasso matrimonial. Mas, ao contrário dos finais de relacionamentos que estamos acostumados a assistir nas telonas, cheios de conflitos e cobranças, esse tem um desfecho diferente.

O filme dirigido brilhantemente por Juan Verá traz uma bela reflexão aos espectadores sobre as necessidades materiais e afetivas. Em determinados momentos são perceptíveis várias referências ao poder da mente, e ao quanto os seres humanos criam problemas no subconsciente e fazem com que eles se tornem reais.

A produção tem um grande potencial de cativar por sua sutileza ao abordar temas cotidianos e desgastantes. É justamente nesse ponto que vem a inovação: o roteiro é objetivo desde o início, prende o público logo nos primeiros minutos.

Sabe aquela sensação de nostalgia que nos faz querer voltar ao passado, mas com a mente do presente? É esse sentimento que o filme proporciona ao espectador, não só pela história retratada, mas também pelo cenário das belas praças que são cartões postais de todas as cidades argentinas, e também pela trilha sonora que mescla boleros argentinos, o brega da década de 1990 e os ritmos latinos. Outro ponto forte são as citações literárias a grandes escritores e a exaltação de pintores como Van Gogh e Monet.

“Um Amor Inesperado” também deixa bem claro o estilo do diretor Juan Verá, que costuma dirigir títulos desse gênero e poucas vezes se arriscou em produções de outros formatos – que bom que ele está sempre presente neste tipo de produções, pois consegue produzi-las com maestria.

A linguagem é coesa e sem deslizes de continuidade nas falas, mas o roteirista poderia ter especificado as passagens de tempos, seja através de legendas ou os próprios atores narrando esses momentos, pois durante a narrativa passam-se meses – e até anos – e o público fica meio perdido com o ritmo acelerado dos acontecimentos. Tirando esta pequena falha, tudo se encaixa perfeitamente, os atores conseguem transmitir a emoção apenas nos olhares, e em um longa-metragem, olhares e gestos complementam muito o enredo.

por Leandro Conceição – especial para CFNotícias