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Crítica: Um Amor Proibido – Escute o Som do Coração


A música tem um potencial transformador enorme, que abrange diversas áreas: na filosofia inspirou os mais diversos intelectuais, desde a antiguidade (Aristóteles) até a modernidade (Theodor Adorno); na área econômica, é uma das maiores no mundo do entretenimento, e mesmo fora dele; e no social, um instrumento para integração e desenvolvimento. Como exemplos deste último podemos citar vários projetos sociais, tais quais o Projeto Guri e o Instituto Baccarelli, que acabam não só por expandir horizontes culturais, mas também por permitir a formação de novos músicos de camadas da sociedade que normalmente não teriam acesso.

“Um Amor Proibido – Escute o Som do seu Coração” (Une barque sur l’océan) demonstra este poder na vida do jovem Eka (Hari Santika), que ao se ver apaixonado por Margaux (Dorcas Coppin), filha de seu novo patrão, pede aulas de piano a ela, e acaba por também se apaixonar pela música.

O filme várias vezes aborda sérios problemas relacionados à acessibilidade da música, em particular a clássica, como preço exorbitante de instrumentos, contratantes que querem músicos de graça mesmo quando estes têm nível profissional, desinteresse de produtores por novos nomes etc.

Além disso também demonstra o músico não como alguém que nasce com talento, mas que precisa estudar e desenvolver suas capacidades, para assim se tornar minimamente descente, e a mesma coisa faz em relação à composição, descartando a inspiração, mas reforçando a continua prática.

Por sua vez, a história é extremamente batida: o clássico relacionamento proibido entre pessoas de classes sociais diferentes. E nesse ponto, ele faz paulatinamente o mesmo caminho que os demais deste tipo, levando ao terceiro ato do longa, que em si destoa do resto, e explora o vazio da fama que Eka atinge. E em si não é ruim, porém, parece pertencer a outro filme.

Nos aspectos técnicos, no entanto, é onde o drama romântico brilha: a fotografia não só trabalha bem a narrativa visual, mas obtém belas imagens, e tem uma delicadeza própria. Na música, o uso dos compositores românticos, e a própria trilha sonora original estão muito bem colocados e ligados.

O maior problema de “Um Amor Proibido – Escute o Som do seu Coração” , que chega ao Cinema Virtual, é sua indecisão: ora parece querer discutir os problemas do mundo da música, ora quer ser um romance tradicional. Desta forma é recomendável para quem gosta de títulos mais críticos, e para quem é fã de romance/drama, porém ficam as ressalvas já feitas para ambos os públicos.

por Ícaro Marques – especial para CFNotícias

*Título assistido via streaming a convite da Elite Filmes.