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Especial 007: A era de Daniel Craig (2006 a 2021)


O século 21 começou de maneira bem tensa e triste. O ataque ao World Trade Center (Torres Gêmeas), no dia 11 de setembro de 2001, em Nova York, trouxe mudanças drásticas para o mundo e isso claramente afetou a franquia de James Bond, obrigando-a a tomar novos rumos, mais realistas. Agora, não havia espaço para tantas acrobacias de carros ou explosivos em forma de caneta ou isqueiro.

Com o ataque terrorista, ficou claro que o inimigo deixou de ser megalomaníacos com planos mirabolantes. Dessa vez, a ameaça era algo real, próxima da gente, mais tensa. Sabendo disso, os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson perceberam que o substituto de Pierce Brosnan como James Bond precisava ser mais forte fisicamente, durão, destemido e resistente, ou seja, alguém que fosse capaz de combater o desconhecido.

E o ator que melhor se encaixou nesses quesitos foi anunciado oficialmente em outubro de 2005, com o nome de Craig… Daniel Craig. Sua primeira missão era estrear no papel do agente secreto em “007 Cassino Royale”.

A notícia permitiu que os fãs pudessem ver a primeira história escrita por Ian Fleming, em 1953, da maneira mais correta no cinema. Em 1968, houve um filme “Cassino Royale”, com David Niven, mas que distorceu todo o universo Bond.

VENCENDO A DESCONFIANÇA 

Assim como todos os atores, Craig também teve que superar a desconfiança dos amantes do espião. No primeiro momento, a primeira impressão foi péssima, já que era considerado por muitos baixo para o papel, além de não ter o charme e a elegância do seu antecessor. Para se ter ideia, até foi criado logo depois de sua contratação um site chamado “craigisnotbond” em forma de protesto.

Mas nada como um dia após o outro. A estreia do inglês chegou em 2006 de maneira explosiva. Não digo isso só por causa das cenas de ação que vemos no longa, mas porque vimos uma nova faceta do personagem. Pela primeira vez, estava exposto um 007 iniciante, impetuoso e intenso.

Basta ver uma das primeiras perseguições do filme, em que Bond está em Madagascar e corre atrás de um fazedor de bombas. Agora, o protagonista sangrava e não tinha medo de meter a porrada nos inimigos. Quem acompanha a saga desde os longas com Sean Connery, até pode olhar torto para esse fato mas a verdade é que essas características caíram muito bem para o personagem, tanto que ficou mais real e coerente com a época em questão.

BOND CLÁSSICO

Mas, calma! Craig também soube mostrar um 007 elegante. Isso aconteceu em seu terceiro filme, “007 Operação Skyfall”, de 2012. Logo na abertura, vemos o herói perseguindo um criminoso em cima de um trem. Em certo momento, ele pula para dentro de um vagão e acaba arrumando com classe as mangas de seu terno impecável. A cena pode não dizer muita coisa, mas serve para os fãs mais fanáticos lembrarem da verdadeira essência do agente.

Aliás, “Skyfall” é onde está a melhor atuação de Craig como Bond. Não só isso, o filme é um dos melhores de toda a franquia. Lançado próximo do aniversário de 50 anos da série, a obra trouxe belas homenagens à trajetória da criação de Ian Fleming ao longo das décadas e também conseguiu mesclar perfeitamente as características clássicas de Bond com a modernidade, tanto que veio o reconhecimento em seguida.

O filme, além de se tornar o maior sucesso da franquia, faturando mundialmente US$ 1,1 bilhão em bilheteria, ele conquistou prêmios importantes, como Globo de Ouro, Bafta e dois Oscars, sendo um de melhor trilha sonora original, interpretada pela cantora Adele. Que música! Que voz!

Infelizmente, a jornada de Craig está chegando ao fim. Já sabe-se que “007 Sem Tempo Para Morrer” será o seu quinto e último filme bebendo a Vodca Martini batida não mexida. Uma pena, afinal de contas, o ator calou a boca de muita gente (inclusive a minha) ao mostrar que era o 007 perfeito para o século 21. Além de resgatar características escritas por Ian Fleming, ele provou que James Bond é uma obra pertinente, que tem muito à acrescentar ao mundo atual. Não à toa que a franquia ganhou nova perspectiva.

Agora, a expectativa é que Barbara Broccoli e Michael G. Wilson reflitam bastante e pensem muito bem na hora de escolher o próximo James Bond, para justamente não perder tudo o que foi conquistado com Daniel Craig. Que venha o próximo Bond… James Bond!

por Pedro Tritto – Colunista CFNotícias