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Resenha de Teatro: “O Tempo e o Cão”


Essa peça não é algo que os amantes de teatro estão acostumados a assistir. Inicialmente, os espectadores serão os “construtores” do espetáculo, dando sugestões do que pode ser mudado e/ou melhorado ao final de cada cena. Então, após a entrega de um chapéu de segurança para cada um que estava presente, a “construção” começa.

Baseado no livro “O Tempo e o Cão – A Atualidade das Depressões” de Maria Rita Kehl, a peça começa com a leitura de um trecho do livro e a história de uma mulher e de um homem, e como os ensinamentos de seus pais na infância influenciaram suas vidas adultas. Porém o foco principal fica em quatro animais: um cão atropelado, um cavalo resgatado de um circo, um leão de uma trupe circense e um grupo de pássaros que moravam em uma seringueira.

Cada ato conta a trajetória de um animal diferente e o mais interessante é que são baseados em histórias reais. Com a ajuda de áudio e vídeo, o espectador se sente mais próximo da cena, se emocionando com o sofrimento relatado por pessoas que participaram das histórias deles.

Outro ponto alto é a utilização do espaço do Canteiro Aberto para a construção do espetáculo. Cada cena contém um cenário diferente, e com a chamada de um despertador – referência direta ao “tempo” do título -, os construtores são direcionados ao próximo local onde a história continuará sendo contada.

Vale destacar a atuação do elenco também, que incorpora com extrema delicadeza seus personagens, mas com grande destaque vai para o ator Márcio Rossi, que rouba a cena toda vez que aparece.

Embora a proposta da peça seja apresentar algo diferente, como eles mesmo insistem em demonstrar, algumas partes ficam um pouco perdidas. Podemos perceber nas entrelinhas, críticas ao papel da mulher na sociedade, à constante correria em que vivemos, e outros problemas sociais, mas que parecem um pouco soltas dentro das histórias principais, que já eram suficientes para atrair a atenção do público.

“O Tempo e o Cão” está em cartaz na Vila Itororó até o dia 25 de maio, sextas e sábados, às 18h. A peça é gratuita.

por Beatriz Vieira Moura – especial para CFNotícias