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Saiba mais: A História de Sonic – Parte 1


Dizer que Sonic ainda é um dos mais famosos personagens dos videogames é desnecessário. Seu nome só é superado em fama por seu maior rival: Mario. E ainda que os anos não tenham sido sempre gentis com o porco-espinho azul, ele é ainda um titã da cultura pop e dos videogames. Uma prova disso é que mesmo em uma época que seu último jogo não tenha sido o mais elogiado, ele ainda tem público o bastante para ter um filme live-action próprio.

Sonic, por sua vez nem sempre foi o mascote que conhecemos hoje. E mesmo este não é uma figura única, com cada geração, e talvez pessoa, conhecendo o personagem de uma maneira única, diferente conforme suas vivências. Neste ponto, Sonic se emancipou de sua rivalidade de Mario, cujo personagem tem uma imagem mais ou menos unificada no imaginário popular.

Para compreender de onde vem essas diferenças, devemos entender a história do Porco-Espinho Azul, que começa há quase trinta anos, como um mascote criado para promover um videogame, e rivalizar com outro grande nome.

A Origem

Em 1990, a empresa Sega se via num empasse: seu videogame, o Mega Drive (Genesis nos EUA), era um dos consoles caseiros mais avançados do período, sendo o primeiro 16 bits do mercado, porém as vendas dos jogos ainda não superavam as do NES (Nintendo Entertainment System, ou Famicom, no Japão) da rival Nintendo, mesmo que carregando ports muito fiéis – para os consoles da época – de arcades famosos, como Altered Beast e Golden Axe, a empresa não conseguia tomar o topo do mercado. Notando o sucesso do mascote da rival, particularmente em seu mais recente jogo “Super Mario Bros. 3” – cujas vendas superaram 18 milhões de cópias – a empresa decidiu tomar o mesmo caminho e criar um jogo com um personagem carismático que projetasse seu videogame.

Alex Kidd, o Mascote original

 

Ainda que Sega já tivesse um mascote oficial – Alex Kidd –, ele não conseguia superar Mário em carisma e popularidade. Para isso vários designs foram enviados para a divisão de pesquisa AM8 da empresa. Dentre eles, pelo menos três deles seriam reaproveitados como personagens: um tatu, que se tornaria Mighty nos jogos de Sonic, um sósia de Theodor Roosevelt, recriado depois como Robotnik, e um coelho, que se tornaria Ristar, um excelente jogo do Mega Drive. Por fim o escolhido foi um porco espinho humanoide, de codinome “Mr. Needlemouse” (Sr. Ratoespinho), criado por Naoto Oshima.

Seu design carregava o descolado dos anos 1990, contendo uma mistura de elementos da cultura pop da época, como a inspiração de seus sapatos com fivelas em Michael Jackson, de sua pró-atividade em Bill Clinton – antes das acusações de assédio sexual –, e sua namorada levava até o nome de quem a influenciou: Madonna – sendo a personagem uma humana loira. Sua atitude era rebelde, ele tocava em uma banda de rock. Até mesmo seu rival, Mario, influenciou seu personagem, com a ideia de ser super-veloz sendo tirada das tentativas de Oshima terminar o mais rápido possível os estágios dos jogos de Mario.

os primeiros esboços de Sonic, incluindo sua namorada Madonna

No entanto dois problemas se impuseram ao design original: em primeiro lugar, levantado pela divisão Sega of America, o plano estava muito adulto e complexo para o público maior de videogames na época, crianças e pré-adolescentes; Em segundo, a própria ideia de ter uma figura feminina sendo salva pelo herói se aproximava demais da ideia do personagem Mario, e eles queriam que o personagem não se assemelhasse ao encanador. Para isso certos elementos foram abandonados, dentre eles a banda de rock e a namorada humana, e apenas suas bases foram mantidas.

Os Dias do Mega Drive: A Era Clássica

o começo da saga do porco-espinho

Em 1991, “Sonic The Hedgehog”, o primeiro jogo da franquia, chega às prateleiras das lojas de games, como um grande sucesso de críticas e vendas – o fato de vir junto com o Mega Drive/Genesis ajudou os números, mas ainda assim foram grandes as vendas independentes –, alavancando não só o videogame, como a quarta geração de jogos digitais.

O jogo teve sucesso o bastante para que em 1992 uma continuação fosse criada. “Sonic The Hedgehog 2” foi campeão de críticas – superando o antecessor – e vendas, sendo responsável pela introdução de Tails, uma raposa de três caudas inspirada nos mitos das raposas (Kitsune) japonesas, e do “spin dash” mecânica na qual Sonic agacha e rola pelo cenário em uma forma de bola ou roda, permitindo ir ainda mais rápido.

Em paralelo com o segundo jogo, “Sonic CD” estava sendo desenvolvido, e seria lançado no ano seguinte. Aproveitando-se das melhorias gráficas e de processamento do acessório “Sega CD” para o Mega Drive, o jogo tem recursos e gráficos diferentes e melhorados, e até mesmo a introdução de um novo personagem – a porco-espinho rosa e fã obsessiva de Sonic, Amy Rose –, fazendo coisas que para um cartucho exigiria demais naquela época, incluindo um desenho na abertura. Ainda que fosse bom e elogiado, “Sonic CD” foi o menos vendido dos jogos clássicos de Sonic em sua época, devido ao fracasso do acessório que era requerido para jogá-lo.

as animações foram um grande upgrade graças à tecnologia de CD

Em 1993, após o lançamento de “Sonic CD”, mais um jogo começou a ser feito. A divisão responsável na época pelo desenvolvimento dos jogos de Sonic – a Sega Technical Institute (STI) –, no entanto, foi dividida em dois: uma equipe formada pelos membros japoneses, e outra pelos membros americanos. A equipe japonesa foi responsável pelo sucessor oficial da série “Sonic The Hedgehog 3”, que adicionou mais um novo personagem ao mito do porco-espinho, Knuckles a equidna, tornando-se o rival de Sonic dentro de seus jogos. Enquanto a equipe americana desenvolvia o spin-off “Sonic Spinball”.

“Sonic The Hedgehog 3” ficou grande demais para apenas um cartucho, sendo dividido em dois cartuchos, “Sonic The Hedgehog 3” propriamente dito, e “Sonic & Knuckles”. O segundo cartucho trazia consigo um encaixe para jogos de Mega Drive no topo, e que uma vez conectado a este, poderia se jogar não só o título na integridade original, como jogar com Knuckles o terceiro jogo, assim como também em “Sonic The Hedgehog 2”. Ambos conseguiram um bom número de vendas e mantiveram a série em alta.

Por sua vez, o spin-off “Sonic Spinball”, não seria nem grande sucesso de crítica, nem de vendas. A ideia de um jogo de Pinball envolvendo Sonic não era ruim, dado que os batedores das máquinas de Pinball já existiam dentro das mecânicas de “Sonic The Hedgehog 2” e “Sonic CD”. Porém o jogo tinha sérios problemas de resposta em seus controles e era suscetível a lags e desacelerações radicais, pecados capitais em uma série cujo foco é velocidade e controles precisos.

O último título para Mega Drive de Sonic, foi “Sonic 3D Blast”, desenvolvido em parceria pela equipe “Sonic Team” – formada pelos criadores originais do ouriço azul – e pela empresa “Traveler’s Tales”. O jogo é uma versão isométrica dos demais, e ainda que fosse interessante em conceito, falhou, tanto por seus controles ligeiramente confusos, quanto por ter sido criado nos últimos dias do Mega Drive.

Sonic 3D Blast, o fim de uma era

Sega Saturn e o Hiato

Com a passagem para a quinta geração de consoles, a Sega começou a procurar formas de se manter relevante no mercado. Primeiramente, com a produção do acessório “32X” para o Mega Drive, que permitiria jogar jogos de 32 bits no console. Depois, com a produção do Sega Saturn, o novo console 32 bits da empresa.

Entretanto, a transição de gerações não foi tão simples: a rivalidade entre Sega of Japan e Sega of America crescia – enquanto a primeira preparava o novo console, a segunda ainda investia no acessório. O mais bizarro do conflito entre as duas, é que nem a Sega of America, nem público, e menos ainda outras produtoras que criavam jogos para a empresa, sabiam da criação do novo console, resultando que o anúncio do Sega Saturn, pegou todos de surpresa, com exceção da empresa japonesa. Isso se mostraria um erro considerável, visto que além de faltar jogos de outras empresas, pelo desconhecimento destas, a arquitetura do console era difícil de programar.

O resultado de tudo isto foi que o Sega Saturn, ainda que estivesse à altura na qualidade gráfica de seu rival mais próximo, o Playstation, ficasse atrás por falta de jogos. Para piorar, a insistência da Sega of Japan em tentar promover novas franquias em detrimento de Sonic, acabou por afastar os fãs da série – que não eram poucos.

Para tentar corrigir o erro, começou-se a produção do jogo “Sonic X-treme”, porém, a produção logo seria cancelada, e no seu lugar, criou-se um port do jogo “Sonic 3D Blast”, para criar um vínculo com os fãs do Mega Drive. Outra tentativa de criar jogos de Sonic para o console 32 bits, foram a compilação de jogos “Sonic Jam” – que trazia os três primeiros jogos da série principal, assim como um mundo 3D para se jogar, ainda que em si não fosse um jogo por si só. Também houve o jogo de corrida “Sonic R”, que devido aos inúmeros glitches, controles confusos e pistas estranhas, acabou por não ter grande projeção.

imagem do protótipo de Sonic X-Treme

Em 1997, Sonic, que até então era um titã da indústria, se via fadado ao fracasso, meros 6 anos após seu lançamento.

Mas, sua sorte iria mudar com a entrada de um novo console, considerado o mais avançado até então, e o prenunciador de uma nova geração de videogames.

Confira a parte 2 de nossa matéria amanhã, 13 de fevereiro, data em que “Sonic – O Filme” chega aos cinemas brasileiros, com distribuição da Paramount Pictures.

Crédito das imagens: Reprodução.

por Ícaro Marques – especial para CFNotícias